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26/03/2018 | Finanças Ata do Copom tende a reforçar aposta de corte da Selic em maio

Por Lucas Hirata | De São Paulo

A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) deve reforçar a aposta no mercado de que a taxa básica Selic recuará, mais uma vez, em maio. Analistas esperam que o colegiado detalhe no documento, a ser divulgado amanhã, suas mudanças de discurso, deixando mais claro seu próximo passo. O Copom reduziu a Selic de 6,75% para 6,5% na última quarta-feira.

A indicação mais enfática do comitê no comunicado após a reunião da semana passada, de que neste momento parece ser mais adequado uma flexibilização monetária adicional, tomou o mercado de surpresa. Investidores e analistas logo se alinharam à visão sugerida pelo Copom, diante do comportamento benéfico da inflação neste começo de ano.

Desta vez, a expectativa é de um alinhamento maior de opiniões dentro do colegiado, principalmente em relação à perspectiva para a decisão de maio. O comportamento da inflação parece ter forçado uma mudança de discurso no Copom, mais até que certa frustração com a recuperação da atividade.

“Esperamos que a ata mostre que a clara mudança para a diretriz mais ‘dovish’ [inclinada ao afrouxamento] foi impulsionada principalmente pelos dados de inflação menores do que o esperado durante o primeiro trimestre e uma projeção de inflação condicional mais benigna para 2018 e 2019”, diz o economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs.

Na reunião anterior, o cenário principal era de encerramento do ciclo de corte de Juros e, conforme mostrava a ata daquele encontro, houve uma divisão de opiniões sobre o grau de liberdade que seria adotado para falar sobre um possível corte. O que se verificou naquele episódio é que venceram os membros do comitê que queriam mais flexibilidade na comunicação.

E mesmo no caso de explicitadas novas divergências, as expectativas para o corte da Selic em maio não devem ser abaladas. “A inflação está do lado do corte da taxa, diferentemente do último encontro quando o IPCA jogava de um lado e a comunicação do BC, de outro, mais cauteloso”, diz um gestor.

Para especialistas, o que pode estar em discussão no Copom é uma extensão do ciclo de flexibilização monetária. Sinal disso é que a referência à evolução do cenário básico no comunicado excluiu o peso do estágio do ciclo.

A ata do Copom seria uma oportunidade para ser uma oportunidade para indicar a margem para queda de Juros em junho. Essa discussão ainda deve ser levada para o relatório trimestral de inflação, que será divulgada na quinta-feira. “A tendência é que, a partir da ata, aumente a discutição sobre junho, já que vemos tendência de inflação baixa, não dá para descartar Selic a 6%”, diz o economista-chefe do Rabobank Brasil, Mauricio Oreng.

O economista Rafael Cardoso, da Daycoval Investimentos, não espera que a ata do Copom será usada para conter apostas mais ousadas. O colegiado já sinalizou que a flexibilização monetária deve ser interrompida após uma queda adicional da Selic em maio. “Mas junho ainda é um mês de inflação sazonalmente baixa, o IPCA tem surpreendido e a expectativa de inflação para 2019 pode cair, por isso o BC não fecha as portas para queda mais longa”, acrescenta.

O Copom apontou que o estímulo em maio mitigaria o “risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas”. Em outro sinal de alerta com o comportamento dos preços, foi reiterado que diversas medidas de inflação subjacente estão em níveis baixos, mas não mais “confortáveis” como vinham sendo apontadas.

Ao descrever o debate dos dirigentes por trás desse discurso, a ata do Copom pode trazer um pouco mais de detalhes sobre o peso de cada componente de preços nos modelos oficiais, de acordo com analistas, embora não se esperem indicações claras sobre esses fatores de risco. “Acredito que o BC está jogando muito na inércia [da baixa inflação], mas os temas de ociosidade e dissipação do minichoque de preços administrados também devem ter peso”, afirma o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

Fonte: Valor Econômico

5ª feira, 26 de Abril de 2018
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