Edição 49 – 15/03/2018

15 de março: Dia Mundial do Consumidor


A data em que se comemora o Dia Mundial do Consumidor é um bom momento para que façamos uma reflexão sobre o atendimento que o Banco Central do Brasil presta ao nosso verdadeiro “consumidor”: a sociedade brasileira.

Não temos dúvidas de que o desenvolvimento das políticas econômica e monetária tem, ao seu final, enorme influência sobre as vidas de cada um dos brasileiros, mas nossa intenção, neste momento, é a de analisar, sem ser exaustivo, o contato direto entre nossa Instituição e cada cidadão brasileiro.

Até que ponto a intenção da direção do BC em diminuir o atendimento presencial prestado pelo Departamento de Atendimento ao Cidadão, privilegiando os meios indiretos de comunicação, atende à necessidade do “consumidor” que nos procura para resolver seus problemas cotidianos, principalmente os de seus relacionamentos com as instituições financeiras?

Se por um lado, o atendimento via canais telefônicos e outros aplicativos facilita em muito para aqueles que possuem acesso e conhecimento dos mais modernos tipos de ferramentas de interação, por outro, exclui uma grande parte da população, que, por força da diversidade cultural e econômica de nosso país, ainda não dispõem dos meios para utilizá-los.

Entendemos que a ampliação de um tipo de atendimento jamais poderia vir atrelada à restrição de outro, garantindo a todos o direito de ser ouvido.

A consequência é o cada vez maior distanciamento do cidadão comum do BC, migrando com suas dificuldades para os órgãos de atendimento ao público, como o Procon, que registram suas denúncias contra o comportamento quase sempre abusivo do sistema financeiro, mas, infelizmente, sem a força da nossa instituição para fazer valer os direitos dos consumidores bancários,

Outro ponto importante a se considerar é o do enxugamento das sedes regionais do BC. Como exemplos, podemos citar a recente extinção da Procuradoria em Belém e, neste momento, das atividades de meio circulante em Porto Alegre. A impressão que se tem é a de que estamos diante de uma política administrativa que tende a se propagar para outras sedes regionais, desidratando-as, palavra da moda, lentamente, até sua morte por inanição.

Perde mais uma vez, especificamente em Porto Alegre, o consumidor do BC, que terá um volume de cédulas e moedas reduzido para suas necessidades, em pior estado de conservação, sujeitando o comércio local e seus clientes a inúmeras dificuldades.

O Sinal sempre defendeu que o Banco Central do Brasil, pela grandeza e importância que possui para a nação brasileira, deveria expandir seu atendimento às demais capitais de Estado onde ainda não tem sede, ampliando sua área de atuação e aproximando-se de seus “consumidores”, não podendo, portanto, compactuar com essa política restritiva, que obriga a quem dele necessita percorrer, por vezes, quilômetros de distância para um contato direto.

Dois pequenos exemplos que, infelizmente, demonstram que o consumidor do Banco Central do Brasil tem menos que comemorar e mais que se preocupar.

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