CRESCIMENTO SE DISSEMINA PARA SETORES COMO VAREJO, SERVIÇO E INDÚSTRIA E SURPREENDE ESPECIALISTAS
Indicadores apontam que resultado do mês passado foi positivo; PIB vai crescer 2,7% em 2018, preveem analistas
MAELI PRADO
DE BRASÍLIA
A atividade econômica medida pelo IBC-Br (indicador do Banco Central que tenta replicar o comportamento do PIB) crescerá acima de 1% em 2017, mostram dados divulgados nesta segunda-feira (15).
Os números mostram ainda que, mês a mês, a economia está acelerando: em outubro, a alta foi de 0,36%; em novembro, de 0,49%, acima do esperado pelo mercado.
A tendência deve se manter em dezembro.
“Mesmo que o mês passado fique estável, o que é pouco provável, o IBC-Br cresceria 0,78% nos últimos três meses de 2017 [ante 0,52% no terceiro trimestre] e 1,1% no ano”, diz o economista Thia-go Xavier, da Tendências.
Essa estagnação não deverá ocorrer em dezembro. Indicadores que permitem antecipar o comportamento da atividade econômica, como vendas de veículos, produção de papelão ondulado (usado em embalagens) e circulação de caminhões nas estradas, mostram crescimento em dezembro, nos dados dessazo-nalizados (sem os efeitos típicos de cada período).
“Mesmo que não tenha havido crescimento em dezembro, o IBC-Br ficaria em 1,2%. De qualquer forma, o número anual do indicador não é exatamente igual ao do PIB”, lembra Alexandre Schwarts-man, economista e colunista da Folha.
Apesar de ter sido criado para antecipar o PIB, que é divulgado com defasagem maior, o indicador do BC é muito menos complexo, levando em conta pesquisas que mostram o desempenho da indústria, agropecuária e serviços. O IBGE, responsável por medir o PIB, soma todos os bens e serviços produzidos no país no período.
QUALIDADE
Mais que a alta em si, a qualidade da expansão da atividade em novembro surpreendeu economistas, com a disseminação do crescimento por setores diversos, como varejo, serviços e indústria.
Apesar de o bom resultado do comércio ter sido influenciado pela Black Friday, a avaliação é que as promoções não foram o único impulso.
“A tônica ao longo do trimestre é de tudo um pouco mais forte do que era previsto inicialmente”, diz Silvia Silvia Matos, coordenadora do boletim Macro, do Ibre/FGV.
Para 2018, a expectativa é de crescimento —analistas entrevistados para o boletim Focus, do BC, apostam em alta do PIB de 2,7%.
“O primeiro semestre vai ser bom, porque vamos sentir os efeitos da redução de Juros. Tirando algum choque externo, ou eventual turbulência externa, o crescimento estará garantido”, aponta Matos.
O cenário nebuloso para as eleições neste ano, entretanto, pode atrapalhar a economia. “As empresas seguram os investimentos, esperando um cenário um pouco mais claro”, lembra Xavier.
Fonte: Folha de S.Paulo