Laura Tupinambá
Entre desafios e conquistas
Laura Tupinambá construiu seu caminho no Banco Central com determinação e escolhas marcantes ao longo da carreira. Da formação na área da saúde aos desafios dos concursos públicos, a história da nossa filiada de Belém revela a persistência e dedicação ao serviço público das mulheres que ajudam a construir o BC todos os dias.
Confira os principais trechos da entrevista a seguir.
Pode nos contar um pouco sobre sua trajetória até a chegada ao BC?
Minha formação é em Odontologia e desde a faculdade eu queria ser Dentista no Programa Saúde da Família. Porém, quando passei no concurso e fui nomeada, ainda não era formada e não pude assumir o cargo – estava começando o último semestre da faculdade.
Embora triste com o cenário, com apenas 21 anos, comecei a fazer concurso para nível médio. Foi então que passei nos concursos da Transpetro (subsidiária da Petrobras) e Procuradoria Geral do Estado do Pará – onde fiquei por 2 anos e chefiei a divisão de recursos humanos aos 23 anos.
De lá fui para a Petrobras Distribuidora (comercialização de asfalto e combustíveis para grandes obras). Nessa época, eu estudava para a Receita Federal e optei por fazer o concurso nacional de Técnico do BC em 2009 – numa concorrência de 2.000 candidatos por vaga. Aprovada dentro das vagas, assumi em agosto de 2010. Por ter gostado do BC (trabalhava na PGBC), decidi que faria concurso para Analista.
Embora no período tenha tido aprovações para analista do Ibama, do TRT8 e do TRF1, desisti de todas as nomeações para assumir como Analista do BC em novembro de 2014.
Paralelamente à vida de concurso, fiz três especializações na área da saúde (Saúde Coletiva – UFPA; Economia e Saúde – UNICAMP; Economia e Saúde – USP) e Mestrado (Santa Casa do Pará).
O que mais te motivou a seguir carreira na Instituição?
Gostei da estrutura física do Banco Central, dos incentivos e oportunidades de estudo, do reconhecimento da dedicação pelo departamento (PGBC) e do nível de excelência e comprometimento dos demais servidores.
Que fatos de sua vivência no BC ficaram na memória? O que você sente quando olha para a sua jornada até aqui?
Mesmo nos momentos de adversidade na minha jornada profissional no BC, não faltou incentivo e apoio dos amigos bacenianos, os quais sempre me fizeram acreditar que eu tinha capacidade de continuar desenvolvendo um bom trabalho.
Na época de maior adversidade na minha carreira no BC, arrisquei mais ainda e fiz parte do Comitê Gestor do PASBC 2020/2023 – não tentei reeleição porque tive vontade de fazer parte do conselho deliberativo do Clube do Remo, recentemente com acessos para as séries B e A do Campeonato Brasileiro – 2023/2026.
Quais foram as dificuldades enfrentadas? Você acha que o fato de ser mulher trouxe desafios adicionais?
Mesmo que nós sejamos apenas 20% da força de trabalho do BC, nos meus cinco anos iniciais eu era subordinada imediatamente a outra mulher – talvez isso tenha amenizado as dificuldades que eu enfrentaria até eu ter visibilidade e respeito na instituição.
Além disso, minha construção familiar e escolar permitiu-me olhar além do meu gênero, entendendo que os espaços que ocupei eram os que eu queria e podia estar.
No final das contas, acho que não senti tanto (ou não quis focar), na jornada profissional, apenas na vida pessoal, os desafios de ser mulher.
Por outro lado, não posso deixar de pontuar que ao longo desses quase 16 anos foi possível ouvir/perceber que em alguns debates profissionais internos a discussão não se concentrava em critérios objetivos e racionais, mas na tentativa de tornar os debates mais emocionais por interlocutores homens entenderem, erroneamente, que nesse campo as mulheres seriam convencidas de suas posições (um tom de voz mais alto ou um argumento apelativo/emocional).
O que você gostaria que as próximas gerações de mulheres, e mesmo as que hoje fazem parte, encontrassem na Instituição?
Respeito à fala, debates em níveis excelentes independente de gênero, igualdade nas oportunidades de cargos comissionados.
Gostaria de deixar algum recado para as colegas que hoje estão no órgão?
Vocês moldaram e continuam moldando a minha crença na nossa capacidade de ocupar os espaços que quisermos.
Quem são as mulheres que te inspiram?
Minha mãe. E no banco, todas as mulheres que simplesmente exercem suas atribuições de forma digna, assertiva e acolhedora.
