Edição 113 - 07/08/2012

Correspondência aos colegas

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Sinal-DF Informa Especial de 07 de agosto de 2012.

 


Prezado(a)s colegas

Encaminhamos correspondência de um servidor do banco,  que tomou posse no concurso de 2006, enviada ao Sinal-RJ e endereçada a todos os servidores do BCB.

A pedido, não divulgaremos seu nome.

Sinal-DF

 


Colega,

Dirijo-me a você através do Sindicato porque muito tem sido dito em assembleias e reuniões, muitos também tem deixado passar a chance de participar deste momento importante de nossas vidas.

Nesta quarta-feira, dia oito, os funcionários do Banco Central do Brasil farão greve por um dia.

Um dia. Apenas um dia.

Este dia pode fazer a diferença, dentro dos moldes orçamentários da Administração Pública, entre o ano de 2013 ser um ano em que o poder de compra de nossos salários estará tão combalido que pode afetar a educação de nososs filhos, os planos de saúde de parentes, as escolhas de moradia que fazemos, as pessoas a quem ajudamos a sobreviver, a manutenção de nossos meios de locomoção.

Um dia pode fazer a diferença entre conseguirmos sustar a violência que estamos sofrendo, quatro anos sem aumento, para um ano novo em que recobramos o nosso bem-estar ou um nível de perda tão grande que não há negociação salarial em ano seguinte que resgate.

Um dia pode fazer a diferença entre conseguirmos com as nossas contribuições manter o nosso plano de saúde capaz de ser interessante para os hospitais, clínicas, laboratórios e profissionais com os quais mantem convênio ou perdermos essa conquista rara no poder executivo.

Este dia pode fazer a diferença entre mantermos um quadro de funcionários motivado e uma carreira atraente para captar os melhores profissionais do mercado, para mantermos o nosso trabalho, que é referência para o mundo todo, com altivez, ou perdermos nosso capital intelectual porque precisamos manter as nossas famílias, porque merecemos ser bem remunerados e infelizmente os "sindicalistas profissionais" estão sendo mais bem pagos do outro lado da mesa de negociação.

Por um dia, não importa por qual time torcemos, em que estado da Federação estamos, qual cargo ocupamos, se envergamos um terno ou usamos tênis. Por um dia olharemos para os nossos crachás e leremos "Banco Central do Brasil – Identidade Funcional". Somos todos funcionários e funcionárias do Banco Central do Brasil.

Funcionário (a) do Banco Central do Brasil não tem o rabo preso, não deve nada a ninguém. Passou num concurso ao qual acorreram milhares e milhares de pessoas. Não precisou de indicação, de padrinho, de se filiar a partido político para conseguir emprego nem participação em empresas estatais.

Funcionário (a) do Banco Central do Brasil combate a corrupção e a lavagem de dinheiro. É aquele que na família todos sabem do dever dele guardar sigilo sobre as informações a que tem acesso. Pode chegar em casa bem cansado no final do dia, mas sabe que agiu no interesse de um país melhor para cada brasileiro.

Funcionário (a) do Banco Central do Brasil é peça fundamental do cenário econômico nacional. É parte de uma instituição com previsão constitucional. No meio da avidez do mercado financeiro, mantem a ordem estabelecida. O brasileiro sabe que se algo estiver errado com um banco, o Banco Central estará lá. É referência no mundo todo. É exemplo de superação, fazendo com pouco mais de quatro mil funcionários mais do que antes de fazia com seis mil.

Se você é recém-chegado à casa, está em estágio probatório, seja muito bem-vindo. Você está entre os melhores profissionais do país. Converse com o seu chefe imediato e participe na medida do possível da greve. Converse com os seus colegas. Há muito o que conversarmos juntos. O Banco Central possui um plano de saúde próprio, que precisa de apoio e participação para melhorar. O nosso Sindicato – que não possui filiação partidária, que é voltado para os interesses do corpo funcional – precisa ouvir você e tem muita coisa boa para lhe contar. Junte-se, há muita coisa boa que você fará em sua vida profissional.

Se você é comissionado, esteja consciente de que cada comissionado que adere à greve é um exemplo de coerência e respeito para com os seus funcionários. Dê o exemplo. Mostre que você chegou aonde chegou por mérito, não porque precisa dos favores de qualquer um. Mostre a sua liderança genuína reconhecendo que sua comissão é temporária e que o funcionário que hoje faz greve será o seu chefe amanhã. Garanta um salário melhor para sua aposentadoria, aquela que irá alimentar seus dependentes.

Li uma vez uma tirinha editada pelo jornal "Pasquim", nos anos 70. Era um formigueiro, a formiga-rainha manda uma "formiga-cartola" ir dizer ao formigueiro que a greve está proibida. O formigueiro responde, num só balãozinho do quadrinho: "MAS NóS FAZEMOS ASSIM MESMO !". No quadrinho seguinte "a formiga-cartola" corre para a formiga-rainha, nervosa: "Socorro, Majestade, DESCOBRIRAM O DIREITO DE GREVE!!!".

Que nesta próxima quarta-feira o corpo funcional do Banco Central do Brasil, com uma atitude consciente e coerente com seu valor, importância e qualificação, aja como um só corpo. De uma vez só.

Nosso gesto, no dia 8, é uma questão de manter a dignidade do que somos. De mostrar que nos respeitamos e exigimos respeito. Não é uma palavra de ordem, não é uma ameaça. É uma atitude.

Um dia para estarmos presentes ao nosso próprio presente, um dia para marcar a direção do nosso futuro, daqueles a que amamos e de uma conduta ética neste país em que vivemos.

Contemos uns com os outros. Podem contar comigo.
 

 


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