A CARTA DO PARREIRA

                Você assiste novela? Ou só dá olhadinha de vez em quando passa pela sala? De qualquer maneira deve conhecer um velho e manjado recurso dos folhetins no qual um ou mais personagens guardam "uma carta" que pode virar a trama de cabeça para baixo.               Daí que só a presença de um revelador documento pode ser a explicação de três indecifráveis segredos que me perseguem há algum tempo.           De como o senador Antonio Carlos Magalhães, político envolvido em comprovadas falcatruas e homem sempre disposto a praticar ou espalhar uma maldade a mais, continua a intimidar os seus pares no Senado Federal. ACM deve possuir “uma carta” firmada pelo  deputado José Roberto Arruda, atribuindo a todos os senadores, em particular a senadora Heloisa Helena, o prévio conhecimento das fraudes que ambos (ele e o José Roberto) praticaram nas votações realizadas por meio do placar eletrônico da Câmara.           Outro enigma é a Xuxa. Como pôde uma modelo linda, rica e jovem ter sido dominada durante 20 anos pelo chicote sentimental, financeiro e artístico de uma baixinha, cabelo curto, roupas de homem e feia que dói, cujos vôos profissionais depois da separação são um fracasso? “A carta” da Marlene Matos devem ser os registros eróticos do início da carreira e as intimidades com o Pelé, episódios que a apresentadora move mundos e fundos para esconder.           Depois da posse, trabalhei num setor de chefe integro justo e rígido. Contudo, para um único funcionário, tudo era permitido. Aos demais o MSP ao pé da letra. Especulava-se, sem qualquer indício, que o sujeito deveria ser "laranja" do chefe em uma conta irregular no exterior.         A possibilidade da existência de “uma carta" desabonadora sobre o chefe em poder do funcionário foi apreciada numa assembléia geral extraordinária de remanescentes do setor num bar no centro da cidade. Uma vez mais não encontramos nada que o desabonasse.           Como nossas assembléias não deixam de exarar um parecer sobre os assuntos da pauta, concluímos que, pelo que "aprontava" o funcionário – e, pelo vigor como era acobertado, mais do que uma “carta”, o “cara” possuía um testamento estarrecedor sobre o chefe.          A existência de “cartas” para explicar o inexplicável foi “sacada” pelo Arthur Dapieve no GLOBO. Graças a leitura do texto, não me surpreendi com a derrota para a Franca. O Dapieve decifrou os motivos porque o Cafu, o Roberto Carlos e “otras cositas más” são titulares da seleção: devem ter uma “carta” com firma reconhecida ligando Parreira a Marcos Valério, uma foto registrando uma visita do técnico ao bordel de oito andares em Colônia, ou coisa assim …        Mas, como o time brasileiro foi chato, irritante e sem atitude em todos os jogos, ou seja, espelhou a a cara do seu comandante, fica a pergunta: qual o teor e contra quem o Parreira possui uma “carta” para ser o técnico da seleção brasileira?