BOLSA POCHETE

             Circula na internet um texto atribuído ao Arnaldo Jabor, “ensinando” sobre o que “não se deve usar”. Entre os itens principais, desaconselha as mulheres usarem lentes de contatos coloridas que as deixam com a cara da Barbie. Em relação aos homens, abomina o trio formado por sandálias, bermuda jeans e bolsa pochete.         Uma recente conhecida de “viagem” – secretária de presidente empresa, fato que a obriga a se vestir nos “trinques” ´- leu as opiniões do cronista e acrescentou: “Concordo. Mas, em relação a bolsa pochete sou radical: não deve ser usada nunca! É pior do que capanga! Você já…”.        Sem deixar que completasse a pergunta, historiei a minha relação com bolsas a tiracolo.        Quando cheguei ao Rio, mesmo que a minha bagagem fosse apenas cigarros, isqueiro, carteirinha de plástico para documentos e chaves, usava aquelas enormes bolsas de couro, estilo hippie, que o fundo quase esbarrava no chão. Externamente, apenas o caderno “B” do JB debaixo do braço, de modo que todo mundo soubesse que lia o jornal da intelectualidade.        Depois, metido a gato mestre, bolei um plano infalível para não correr o risco de não ser roubado: passei a carregar os meus apetrechos em sacos plásticos de supermercado. Só dei conta do ridículo quando, sem a que a minha presença fosse notada, ouvi a seguinte descrição:        – “É claro que o Mario Marcio! É aquele que parece estar sempre vindo das compras!”.         Pensei em dar um “cala a boca” na oposição, comprando uma maleta 007. Abandonei a idéia quando soube que um famoso chefe baceniano ao sair do elevador tropeçou num ressalto e a sua 007 aberta, revelou o que portava o gerente: escovas de dente e tubos de pastilha Garoto.            Aí, adotei as bolsas emborrachadas e mantivemos uma convivência feliz até o dia que ao vistoriar o exemplar que usava, comentei com a parceira de trabalho: “Tô achando essa bolsa meio caidinha. Qual a sua opinião?” E ela implacável: “ESTÁ HORROROSA!         A seguir, comprei uma bolsa de couro preta, cheia de estilo e possuidora de tantas divisórias, zíperes e esconderijos que vazia, pesava uns três quilos. Acomodei em seu interior a minha “mudança” composta de carteira de mão, chaveiro, óculos reserva, remédios, MP3, pilhas, livro, palavras cruzadas e jornal. A “bicha” dobrou de peso. Uma semana depois, com os ombros em “pandareco”, como diria a minha mãe, troquei-a por uma dessas de tecido, onde carrego apenas o indispensável, a fim de evitar uma indesejável aposentadoria por problemas de coluna.         Após a explanação, a conhecida ironizou: “Você tem jeito que já usou bolsa capanga…”            – ” Pô! Que é isso? Tá a fim de me derrubar? Respondi, perguntando meio sem jeito.        Todavia, ela ainda fez um último disparo: “Confessa:: você andou adotando o “modelito” pochete, sandália, bermuda jeans e camisa machão, é ou não é?”         Esculhamba, mas, não esculacha, pô!” – Supliquei à maneira dos bandidos quando surpreendidos pela polícia.