DE VOLTA PARA O PASSSADO

    Li no O Globo que personagens antigos como Luluzinha e Bolinha, Recruta Zero, Gasparzinho, Popeye e Riquinho estão retornando às paginas das revistas em quadrinhos com os relançamentos de suas histórias.Desses, gostava muito dos gibis da Luluzinha e do Bolinha e do Recruta Zero. A Luluzinha, uma menina esperta e teimosa, vivia tirando o Bolinha das confusões. E este, além de adorar bancar o detetive, era líder do clubinho dos meninos, onde “menina não entrava”. O Recruta Zero era um soldado preguiçoso que sempre tenta escapar dos serviços no quartel. Seu lema era “nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã”.Minha ideia é voltar a adquirir alguns exemplares dos personagens que curtia. Contudo, as minhas tentativas de resgate do passado, não tem tido finais felizes. Durante um bom tempo procurei, por todos os meios, rever o filme que mais me fez rir na vida: “A grande escapada”, uma comédia que se passava durante a 2ª guerra, com Terry Thomas e Louis de Funès. Um dia descobri que o filme iria passar de madrugada na TV e fiquei de plantão acordado. Assisti ao filme inteiro e não esbocei sequer um sorriso.Quando adolescente, era viciado em ler, todas as noites, antes de dormir, as fotonovelas da minha irmã. Teve histórias que li e reli umas vinte vezes. Um dia, na sala de espera de um consultório, comecei a ler uma das várias fotonovelas modernas que estavam à disposição dos clientes e não consegui passar da segunda página. Na segunda tentativa a mesma coisa. Desisti na terceira.Mas as histórias em quadrinhos que eu mais gostava mesmo eram as do Pato Donald. Curtia sua impaciência e seus azares, o pão-durismo do Tio Patinhas, a inteligência dos sobrinhos, Huguinho, Zezinho e Luisinho, a incrível sorte do primo Gastão, que tinha olho comprido na Margarida, namorada do Donald. Todavia, o ídolo maior era outro primo, o Peninha, com suas engraçadíssimas maluquices e trapalhadas. Quando do relançamento desses quadrinhos, fui ávido adquiri-los. Começava a ler, mas desistia no meio da leitura. Sequer, guardei os exemplares. Depois desses desapontamentos já estou há alguns anos sem tentar voltar ao passado. Vou aproveitar a oportunidade dos lançamentos dos gibis da “Luluzinha e Bolinha” e do “Recruta Zero” para arriscar novamente. Tomara que o passar dos anos tenha devolvido pelo menos parte do meu espírito juvenil perdido e me transformado numa pessoa menos amarga. Como também será uma boa chance de comprovar a tese que ao envelhecer nos tornamos criança novamente.