NOME AOS BOIS

              Estava convicto de que havia chegado ao ápice da minha carreira de pesquisador de nomes exóticos ao saber o filho de um casal de sobrenomes Almeida  e Rocha foi batizado como: “Produto de Almeida Rocha”. Mas, percebi que estava enganado quando li a notícia sobre os nomes das gêmeas nascidas em Goiânia num dia de Finados: Defundina e Finaldina.             Depois dessa,  resolvi dar um tempo e passar a realizar uma busca nos nomes dos estabelecimentos comerciais. Não há muita novidade. Grande parte homenageia santos, cidades, países ou são gentílicos como "Casa Francesa" ou o "Empório Friburguense".  Como o ramo das panificadoras está dominado pelos patrícios, eles gostam de registrar as relações “Brasil-Portugal”, “Luso-Brasileira” e “Dois Irmãos”. Novelas também são inspiradoras: “Saramandaia”,  “Irmãos Coragem” e “O meu rico Português”.  Há os que gostam de tornar público a sua paixão pela esposa ou, quem sabe, pela “segunda via”: “Minha Deusa”. Razões sociais também podem  procurar acompanhar a descontração dos ramos de atividades. Estão na praça os bares  “Susega (é assim mesmo) Madalena” e  “O bigode do meu tio”, e as lanchonetes  “Loura burra” e “O engenheiro que virou suco”. Mas, se fosse para escolher o mais criativo, ficaria em dúvida entre o “Santo Gostinho (sem o “a”) e o “Mastur Bar”. Não é difícil de encontrar trocadilhos infames como “Edson Celulares” ou a “Casa dos Machos”, pet-shop que por razões que nem Freud explica, não cuida de fêmeas. Há nomes completamente diferentes do que sugerem: “Sopro Divino” não é uma transportadora de defuntos, mas de cargas.  Na “Casa Cavacas” não existe nada para se mastigar. Vendia guarda-chuvas e atualmente material esportivo.  O Carlos Heitor Cony, na Folha-SP, pegou uma carona na observação de uma leitora  de que a  denominação do hospital Copa D’Or é mais apropriado para hotel e disse que assim  como os motéis, que geralmente vão direto ao assunto (“Orgasm”, “Êxtase”, “Climax”, etc), os hospitais deveriam ser mais condizentes com o ofício. Em vez de “Samaritano” ou” Santa Lúcia”, poderiam ter nomes de santos eficazes na hora do desespero como “Nossa Senhora dos Aflitos”  e “São José da Boa Morte” ou serem mais incisivos ao dar “nome aos bois” (sugestão para churrascaria) e se chamarem: “Marca do Pênalti”´, “A um passo da Eternidade” e “Adeus as Ilusões”. Conheço um maluco metido a inventor, de apelido “Pardal”, que vive sonhando com novos empreendimentos que nunca saem do papel. Andou falando em instalar um laboratório de experiências humanas que se chamaria “Boi de Piranha”.  E como é óbvio que só pelo nome não iria para frente, agora anda dizendo que irá atuar – revolucionariamente – no ramos das olarias. Nome da futura empresa: “Tijolo por tijolo, num desenho lógico”, inspirado (copiado) num verso da canção “Construção”, do Chico Buarque. Não tenho dúvida de que ele andou lendo a crônica do Cony.