O FIM DO MUNDO!

            Tenho um pânico tão grande dessas histórias sobre o fim do mundo, que não imagino como me sentiria se fosse morador de Nova Iorque, cidade que já experimentou a sensação de pelo menos três “juízos finais” nos últimos setenta anos.            A primeira delas em 1938, quando Orson Welles produziu uma transmissão radiofônica intitulada a "Guerra dos Mundos", mundialmente famosa por provocar um efeito dominó nas emoções dos ouvintes e desencadeando um clima de guerra entre os americanos que se imaginavam enfrentando um exército invisível que ninguém via, mas que acabara de desembarcar no planeta terra conforme haviam ouvido no rádio.           Outra há uma década, quando o ataque terrorista as Torres Gêmeas nova-iorquinas provocou um tumulto não só na própria cidade americana, mas em todo o mundo. As conseqüências e desdobramentos todo mundo sabe.         A última agora em 2006, quando a metrópole já refeita do susto, assistia numa boa ao filme sobre o “11 de Setembro”, veio a explosão do bimotor contra um edifício. As notícias foram de que muita gente na cidade, pelo menos por alguns minutos, pensou que dessa vez seria o caos.         Comecei a ter medo do fim do mundo quando passei a ler umas revistas religiosas que havia no colégio católico, onde dizia que o mundo acabaria de duas formas: água ou fogo. Deus ainda não havia decidido.  E aí, com um medo danado, toda noite eu perguntava para minha mãe qual seria a melhor forma do mundo acabar. Sua opinião sempre coincidia com a saída que eu arranjava para não morrer, mas com o alerta de que “ninguém fica para semente”.         Quando eu já ia esquecendo o assunto, surgiu uma terceira forma: a guerra fria entre russos e americanos. No auge da crise meu pai vaticinou: "A terceira guerra mundial será o fim do mundo!" A partir desse dia não perdia um noticiário radiofônico para saber das trocas de ameaças entre Nikita Kruschev e John Kennedy.             Finda a guerra fria o assunto arrefeceu e ficou por conta de uns videntes que marcavam o dia do juízo final. Ninguém acreditava, mas nas datas previstas, ninguém saia de casa à noite. No outro dia, ao acordar, eu sempre me beliscava para ver se ainda estava vivo.                 O profundo ceticismo dos nossos dias, que só acredita nas verdades sociológicas, matemáticas e estatísticas não permite crenças nas previsões de Nostradamus e ignora os segredos de Fátima. Contudo, mesmo que os institutos de pesquisa e de metereologia tenham passado a acertar suas previsões, até para o IBOPE está difícil prever o dia do Juízo Final. Mas, quanto à forma de Fim de Mundo, se água, fogo ou terceira guerra mundial, eu lanço minha previsão de que vai ficar na dependência do resultado das pesquisas de intenções de voto.