PARA LAVAR A ALMA

    Como o julgamento do “mensalão” está na ordem do dia, não há alternativa senão a de abordar o assunto, cujos resultados não nutro esperanças de que irão “lavar a nossa alma”. Para começar o denunciante é o pegajoso canastrão e ex-deputado federal Roberto Jefferson, que se notabilizou como advogado de pobres no "O Povo na TV”, um programa de submundo. Imagino que, em dado momento, houve a cisão entre a fome e a vontade de comer, com algum “chega para” lá do então todo poderoso Dirceu em Jefferson – que se locupletavam em "tenebrosas transações". Penso que foi quando Jefferson, espumando vingança, resolveu posar de herói e denunciar a trama urdida pelo “Zé”. Foi emblemática sua declaração à CPI: “Vossa Excelência me inspira os instintos mais primitivos”, dita com o olhar fixo em Roberto.O “mensalão” é definido como a compra de votos de parlamentares na câmara e no senado para votarem a favor do governo. Mas, eu acredito mais na tese de um poderoso esquema para financiar a candidatura natural do ex-ministro Dirceu, o “chefe da quadrilha”, à Presidência, sucedendo a Lula. Tenho dúvidas se ele suportaria esperar uma tentativa de reeleição do então presidente. Acho que atropelaria o processo a qualquer preço.A revelação, à época, de que Jefferson e Dirceu, ambos julgados e cassados pela Câmara após o escândalo, não eram “água que passarinho não bebe”, não foi surpresa. Surpreendente foi a presença no “esquemão” de José Genoino, antigo ícone de integridade na vida pessoal e pública. É surreal a desculpa de que, na presidência do PT, não sabia da vida financeira do partido. O conhecimento é inerente ao cargo.A primeira pá de cal que foi jogada em cima de um julgamento que atendesse o anseio popular, foi a notícia de que um dos 38 réus do “mensalão”, já escapou: Silvinho Land Roaver. O ex-secretário geral do PT, em 2008, fez acordo com a Procuradoria Geral da República. Declarou-se culpado e em troca da suspensão do julgamento por formação de quadrilha, dispôs-se a cumprir uma pena alternativa. Atualmente flana numa “máquina” de 63 mil reais.Punição para usurpadores de dinheiro público tem que ter o efeito de “lavar a alma”. Cadeia é muito pouco. Afinal, após o escândalo o patrimônio de Marcos Valério aumentou, o Duda Mendonça ficou mais rico e o José Dirceu fatura 100 mil mensais. É preciso haver também o seqüestro de bens no valor que se calcula que tenham desfrutado. Se aceitarem sugestões, comecem perguntando ao denunciante Roberto Jefferson, como era realizada a mágica. Sem nenhuma ajuda, ele fez desaparecer mais de quatro milhões de reais.

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