PARA NASCIDOS ENTRE 1930 E 1978

    Olhando para trás, é duro acreditar que estejamos vivos até hoje. Nós viajávamos em carros sem cintos de segurança ou “air bag”.Não tivemos nenhuma tampa a prova de crianças em vidros de remédios, portas, ou armários e andávamos de bicicleta sem capacete, sem contar que pedíamos carona. Bebíamos água direto da mangueira e nos riachos, e não da garrafa, ou em copos descartáveis. Nós gastávamos horas construindo nossos carrinhos de rolimã para descer ladeira abaixo, e só então descobríamos que tínhamos esquecido dos freios. Depois de colidir com algumas árvores, aprendemos a resolver o nosso problema.Saíamos de casa pela manhã e brincávamos o dia inteiro, só voltando quando se acendiam as luzes da rua. Ninguém nos podia localizar.Não havia telefone celular. Nós quebramos ossos e dentes, e não havia nenhuma lei para punir os culpados. Eram acidentes! Ninguém para culpar e processar, só a nós mesmos. Nós tivemos brigas e esmurramos uns aos outros e aprendemos a superar isto. A amizade continuava a mesma…Nós comemos doce e bebemos refrigerantes, mas não éramos obesos. Estávamos sempre ao ar livre, correndo e brincando. Compartilhamos garrafas de refrigerantes, e ninguém morreu por causa disso.Não tivemos Playsttios, Nintendo 64, videogames, 99 canais a cabo, filmes em vídeo, surround sound, celular, computadores ou Internet.Nós tivemos amigos. Nós saíamos e os encontrávamos. Íamos de bicicleta ou caminhávamos até a casa deles e batíamos à porta. Imagine tal coisa! Sem pedir permissão aos pais… Por nós mesmos. Lá fora, no mundo cruel! Sem nenhum responsável! Com fizemos isso?Nós corremos, brincamos e inventamos jogos com varas e bolas improvisadas. Apanhamos do chão e comemos frutas caídas e, embora nos tenham dito que aconteceria, nunca passamos mal, ou tivemos dor-de-barriga para sempre, ou uma contaminação fatal! Nos jogos da escola, nem todo mundo fazia parte do time. Os que não fizeram, tiveram que aprender a ler com a frustração… Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros. Eles repetiam o ano… Que horror! Não inventavam testes extras nem aprovação automática. Éramos responsáveis por nossas ações e arcávamos com as conseqüências. Não havia ninguém que pudesse resolver por nós. A idéia de um pai nos protegendo, se desrespeitássemos alguma lei, era inadmissível! Nossos pais protegiam mais a lei do que a nós! Imagine! Nossa geração produziu algum dos melhores “enfrentadores” de risco, negociadores de soluções, criadores e inventores.Os últimos 50 anos foram de uma explosão descomunal inovações e novas idéias.Foi e esplendor da criatividade humana… Foi a verdadeira Renascença da humanidade! Tivemos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade, e aprendemos a lidar com tudo isso… A VIVER, enfim!E você é um deles!  Obs: Recebi do “companheiro” José Carlos da Matta César, a incumbência de dar um “trato” neste texto recolhido na Livraria Elizarte, aqui atrás do Banco. Mas, não consegui. Está perfeito! Mesmo assim, não posso deixar de atribuir-lhe dois defeitos: não foi escrito por mim e o seu autor é desconhecido.

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