QUANDO O MELHOR AMIGO NÃO É O HOMEM

     Não pretendo escrever nenhum tratado sobre amizade, absolutamente. Eu queria dizer algo sobre meu mais novo amigo, o pequenino Touché, que já apresentei a todos pela Internet. Daí, e levando em consideração fatos recentes no campo do meu relacionamento pessoal com alguns vizinhos, que andaram somando mais decepções as que eu já colecionara nestes 67 anos de vida, veio o “insight” que me conduziu a este texto. Quando divulguei suas 4 fotos, recebi várias mensagens dirigidas, naturalmente, à beleza, à gracinha, à simpatia do meu novo amigo… o Touché. Tantos os elogios a ele, tantos os beijinhos que quando contei-lhe tudo, percebi que o pequeno filhote de yorkshire já sorriu diferente para mim. Entendi que logo me faria sombra nesta net, e merecidamente. No dia primeiro de abril agora, ele completou 4 meses, segundo dados do seu “pedigree”. No dia 02/março tomou a segunda dose de sua vacina e disseram-me que somente após a terceira, em abril, ele poderia ter contato com a rua e com outros cães. Por enquanto seus limites são pequenos, mas ele usa bem o primeiro e o segundo andar de nossa casa aqui em Cabo Frio.  Quero dizer, usa bem, mas à maneira dele. Garantiram que se eu empregasse bastante energia com o Touché logo ele aprenderia a fazer suas necessidades em locais por mim determinados. Pois sim, não obstante nossos esforços, meus e da amiga Marlene, minha dama de companhia, quando está cá em casa, ele insiste em ser “rebelde”, a ponto de depositar suas matérias fecais e “urináis”, ao lado do jornal, nunca no próprio. E agora ele já está liberado para sair… Por outro lado  é um bagunceiro de primeira linha, mas também adora um carinho. Alimentá-lo e dar-lhe bastante atenção é o mínimo que posso fazer, e tenho feito, por este pequenino ser que veio reduzir minha solidão de algumas horas por dia a quase nada. Acaba de  participar de uma “viagem” conosco, de Cabo Frio para o Rio. Seu comportamento foi exemplar. Foi um presente e tanto que ganhei do bom sobrinho Glauco Fernandes.  Sempre ouvi dizer que o cão é o melhor amigo do homem, e há muitos exemplos que confirmam isto. Quantos deles não perderam a vida tentando salvar a do amigo humano? Desculpem, mas a verdade é que nem todos nós, seres racionais, teríamos semelhante atitude em situações de perigo envolvendo amigos nossos. Quem disser o contrário estará com certeza faltando com a verdade. Graças a Deus tenho uma relação considerável de bons amigos e boas amigas, antes e pós internet. Dos antigos alguns o tempo lhes encerrou o viver, outros se afastaram por variados motivos, até mesmo porque a amizade que desses esperávamos tinha uma certa validade, e esta já vencera…  Ainda bem que sobraram bastante amigos, o suficiente para eu  me sentir gratificado pela vida.  Certa vez ao escrever o artigo “Amizade”, usei esta citação que eu lera num texto cujo autor agora não lembro o nome: “E às vezes quando os procuro, noto que eles (os amigos) não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo.” No correr do meu artigo eu disse: “Pois eu senti a dor, o amargor dessa perda, quando o destino me “entortou para o lado”, já várias vezes, ao ceifar vidas de  amigos  tão  necessários.  Lamentei  todos, padeci por todos, mas principalmente pelos mais jovens. Com estes a sina foi muito cruel, interrompeu-lhes tantos planos de vida, iludiu-os com um futuro, mas tirou-lhes a chance de vivê-lo.”  “A amizade, esta ficou comigo, habitando nas recordações, pois nunca esqueço os amigos. Gosto de recordá-los em certos momentos. A força da amizade os imortaliza na saudade.” É verdade que, durante nossa vida, haverá sempre momentos quando o melhor amigo não é, ou não será, o homem. Ou a mulher, claro. Às vezes esperam de nós mais do que podemos oferecer. É o semear de um desengano para o ex amigo, ou ex amiga. Outras vezes a traição à confiança pode ser o duro golpe que nos nocauteia.  Mas, também o nosso desapontamento pode vir quando alguns, aos quais sempre dedicamos amizade e lealdade, cedem à tentação da fuxicaria, da mexericada, justamente palpitando, numa intromissão indevida, algumas vezes caluniadora, e sempre condenável, sobre a nossa vida particular. Gestos e atitudes indignas como esta só podem nascer de cérebros humanos. Porque somos… racionais!!  Aliás, alguém já disse: “Quanto mais conheço os seres humanos, mais admiro os animais.”  Eu poderia encerrar por aqui, mas quero voltar ao meu querido Touché.  Aliás, ele tem sobrenome, sim senhor: Muraoka. Nome do pai: Snoopy Silvery Star. Da mãe: Shirra Chelles House. Cor: azul aço/canela. Sexo: Macho… sim senhor. Seu pedigree foi emitido pelo Brasil Kennel Club, com reconhecimento da “Federation Cinologique Internacionale” – FCI.  Aceitam-se gozações, mas cuidado para não caírem no desrespeito a este filhote de “Yorkshire Terrier” que, se vale muito mais do que pesa, em reais, ou em dólares, acreditem: vale ainda muito, mas muito mais pela sua amizade, pela sua lealdade, sempre, mas especialmente … quando o (nosso) melhor amigo não é o homem, ou a mulher, lógico.