VIDA, LEVA EU

    Concordo que essa confusão toda em torno do Zeca Pagodinho já esgotou a paciência. Entretanto, a leitura dos jornais da semana indicou aspectos sobre a questão que continuam adormecidos. O primeiro é que a imagem do sambista saiu consideravelmente arranhada da confusão. Por considerá-lo a “cara” do Rio, havia votado no Zeca num concurso do site do jornal O DIA iniciado antes da “guerra das cervejas” para sugerir a prefeitura o time das 120 pessoas que estarão se revezando na condução da tocha olímpica pela cidade abrindo o PAN de 2007. Imaginei que nem a soma dos votos dos demais não o superaria. Me enganei “redondademente”. A “mais perfeita tradução do carioca autêntico” perdeu o primeiro lugar para o ex-jogador de basquete Oscar Shcmidt, brasiliense de nascimento e paulistano da gema. Outro aspecto foi o abordado pelo Gilberto Dimenstein na Folha: “… a guerra das cervejas é um detalhe tão passageiro como um amor de verão. Pela quantia envolvida e pela genialidade das peças publicitárias, a questão essencial é a abundância de recursos para convencer as pessoas, especialmente os jovens, a associar álcool à saúde, beleza, sensualidade, modernidade. É uma luta desigual, num país em que, segundo pesquisas da Unesco, crianças começam a beber, em média, aos 13 anos. A frase insossa e fria: “Beba com moderação”, apresentada depois de exuberantes paisagens com música, mulheres e praias tem o mesmo impacto entre os jovens do que este artigo que você está lendo. É uma batalha de Golias contra um Davi de mãos atadas…”.         Uma terceira questão foi lembrada pela Danuza Leão, também na Folha: “… como é que Zeca o malando que inventou o Jaqueirão; que trouxe a alegria à música carioca; que cantou “deixa a vida me levar” e fez todo mundo querer ser levado pela vida, igualzinho a ele, pode aparecer na TV – esquecendo-se de que é (era) – um ídolo popular, com obrigações de conduta e comportamento – ajudando a piorar as coisas que acontecem no país: que de nada valem os contratos, nem a palavra dada nem o que foi combinado? Nem ao menos respeitando o símbolo do que é mais sério na malandragem: levantar o polegar: o que significa “eu garanto”. Do mundo do pagode ao Planalto Central, não está dando para confiar em mais ninguém. Negar num segundo comercial o que foi exaltado no primeiro – e sempre por dinheiro – é coisa de gente metido a fina e sofisticada, mas que um malandro bacana e de boa cepa jamais faria…”         No entanto, acho que a grande questão fica por conta do pensamento do DIA  (que dizer de O GLOBO de 21.3.04) do Agamenon Mendes Pedreira: GRANA,  REFRESCA ATÉ PENSAMENTO?