Como pensam os presidenciáveis

    A pouco mais de um mês das convenções partidárias que oficializarão, perante a legislação eleitoral, a pré-candidatura de Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Campos (PSB) ao Palácio do Planalto, o debate programático intensifica-se e dá sinais do que poderá estar no programa de governo dos três principais presidenciáveis. “Por enquanto estamos apenas lançando algumas ideias, propostas. A embocadura do programa de governo será dada ao longo da campanha. Como diz o ditado, treino é treino, jogo é jogo”, brincou o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), um dos coordenadores da campanha tucana.

    Mesmo assim, ele reconhece alguns sinais claros do que deverá vir a ser implementado em um eventual governo do PSDB. “Aécio já disse que diminuirá pela metade o número de ministérios e implementará uma meritocracia no serviço público. Ao longo das conversas que vem mantendo pelo país, vai aprofundar essas propostas”, completou Pestana.

    Como senador, Aécio apresentou projeto de lei para incluir o Bolsa Família na Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), para tentar acabar com o debate, recorrente em períodos eleitorais, de que uma eventual vitória da oposição colocaria em risco a continuidade do programa. Também tem sinalizado a busca por uma maior autonomia do Banco CENTRAL. “É preciso blindar a instituição responsável pela elaboração da política monetária brasileira”, completou Pestana.

    Nos últimos dias, o presidenciável do PSB, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, gerou um debate ampliado, sobretudo com o PT, ao afirmar que pretende, em longo prazo, reduzir para 3% a taxa de inflação brasileira. Ele também foi enfático – contrariando as opiniões, inclusive, da candidata a vice em sua chapa, a ex-senadora Marina Silva – ao defender a independência do Banco CENTRAL, com eleição e mandatos fixos para os diretores da instituição.

    Olho na economia

    Um dos coordenadores do programa de governo socialista, Maurício Rands afirma que o texto será baseado em planejamentos de curto, médio e longo prazo. “Estamos priorizando, nessa fase, a elaboração de ações nas áreas de micro e macroeconomia”, afirmou Rands. “Além disso, vamos nos debruçar em propostas para apresentar à sociedade uma nova maneira de fazer política”, acrescentou ele, lembrando que o programa está sendo elaborado com base em oficinas e encontros regionais promovidos pelo PSB/Rede.

    Das três principais legendas a disputar o Planalto, o PSB é a que tem a menor base parlamentar e a menor capilaridade pelo país. Rands sabe bem o que é chegar ao poder sem sustentação congressual. Ele era do PT em 2003, quando Lula foi eleito ao Planalto e teve que negociar com os partidos aliados, processo que acabou por resultar no mensalão. “Tivemos muitas dificuldades e o PT acabou se perdendo nesse processo. O cuidado que precisamos ter é estabelecer alianças com base em uma sustentação programática”, disse Rands.

    Candidata à reeleição, o que, em tese, lhe garante mais tranquilidade para adiar a apresentação de um programa de governo – o documento vai conter muitas das ações já presentes ao longo do primeiro mandato – Dilma aproveitou o pronunciamento de 1º de Maio para deixar claro que “jamais abandonará os trabalhadores ou implementará ações que reforcem o arrocho salarial”.

    Reforma em pauta

    No documento oficial programático apresentado no Congresso do PT da semana passada e que ainda será discutido em uma comissão interna do partido, ficou acertado que Dilma intensificará o debate sobre a necessidade de uma reforma política. A proposta de um plebiscito sobre o tema será ressuscitada. Os petistas também querem inserir a ideia de regulação da mídia, mas a iniciativa já estava presente neste primeiro mandato da presidente e jamais avançou.

    Para o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), é muito bom que tanto Aécio quanto Eduardo estejam viajando o país durante a pré-campanha para debater ideias. “Nós também queremos fazer esse debate”, ponderou o petista. Zarattini ironizou as reuniões dos adversários com empresários. “Por que eles não apresentam as propostas para o povo?”.

    “Aécio já disse que diminuirá pela metade o número de ministérios e implementará uma meritocracia no serviço público”

    Marcos Pestana (PSDB-MG)

    “Vamos nos debruçar em propostas para apresentar à sociedade uma nova maneira de fazer política”

    Maurício Rands (PSB-PE)

     

    Fonte: Correio Braziliense

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