Lucro do Itaú sobe 12% no terceiro trimestre

    INSTITUIÇÃO REDUZ PROVISÕES PARA CRÉDITO DUVIDOSO, MAS EMPRÉSTIMOS NÃO REAGEM

    ANAIS FERNANDES
    DE SÃO PAULO

    O lucro líquido recorrente do banco Itaú, o maior privado do país, cresceu 11,8% no terceiro trimestre do ano, para R$ 6,254 bilhões, ante mesmo período de 2016, com aumento das receitas de tarifas e queda drástica na provisão para crédito duvidoso, de acordo com balanço divulgado nesta segunda-feira (30).

    O montante que o banco reservou no trimestre para cobrir eventuais perdas com empréstimos recuou 30%, passando de R$ 6,2 bilhões em 2016 para R$ R$ 4,3 bilhões neste ano.

    O índice de inadimplência acima de 90 dias fechou setembro em 3,2%, praticamente estável em relação ao trimestre anterior, mas abaixo dos 3,9% registrados no terceiro trimestre de 2016. “Houve redução devido, principalmente, à menor inadimplência no Brasil”, disse o banco.

    Em relação ao segundo trimestre de 2017, o lucro do Itaú subiu 1,4%. O resultado é o recorrente —que exclui efeitos extraordinários.

    A margem financeira total, que mede o ganho do banco nas operações de empréstimos e já desconta a provisão para calote, caiu 7% no trimestre na comparação com 2016, para R$ 16,8 bilhões.

    O resultado veio aquém dos esperado pelo banco devido à queda nos Juros e às novas regras do cartão de crédito —desde abril, quando o consumidor entra no rotativo, depois de 30 dias a instituição precisa oferecer o parcelamento do saldo devedor.

    “A redução da margem financeira com clientes no trimestre foi principalmente devido ao efeito da queda do CDI, principalmente em nossa margem de passivos e capital de giro próprio, [e] ao impacto da nova regulamentação de cartões de crédito”, afirmou o banco no balanço.

    Por outro lado, as receitas do Itaú com tarifas e seguros cresceram 5% na comparação com o terceiro trimestre de 2016, e 3,7% ante o segundo trimestre deste ano.

    O banco justifica a alta pelo crescimento das receitas de serviços de administração de recursos, devido, em parte, ao maior número de ativos e de dias úteis no período, além da alta nas receitas com cartões.

    As receitas com administração de recursos subiram 14,2% ante o segundo trimestre deste ano, e as com cartão de crédito, 2,8%.

    Os empréstimos, no entanto, não reagiram, e a carteira de crédito, sem incluir garantias e títulos privados, fechou o terceiro trimestre em R$ 468 bilhões, queda de 2,5% em três meses e de 5,6% sobre o o primeiro trimestre de 2016.

    As despesas gerais do banco caíram 4,5% em relação ao trimestre de 2016, para R$ 12 bilhões, devido, principalmente, à queda de 14,4% nos gastos com pessoal. Em relação ao trimestre anterior, porém, houve alta de 2,3%.

    A partir desta quarta-feira (1o), o Itaú vai assumir as operações de varejo do Citibank no Brasil.

    Fonte: Folha de S.Paulo

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