Mudança no comando do BC dá a Tombini o voto da maioria

    Análise Angela Bittencourt São Paulo

    A mudança da diretoria do Banco CENTRAL (BC) proposta por ALEXANDRE TOMBINI à presidente Dilma Rousseff é tão sutil que dispensa o seu aval para que ocorram longe de Brasília, neste início de semana, reuniões oportunas e reservadas entre o presidente do BC e os postulantes a duas áreas críticas da instituição: política econômica e regulação.

    Nesta segunda-feira, estarão juntos em Istambul, na Turquia, ALEXANDRE TOMBINI, Luiz Awazu Pereira, indicado para a diretoria de política econômica e Otavio Damaso, indicado para a diretoria de regulação. Convidados para as reuniões de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais do G-20, Awazu Pereira ainda comanda assuntos internacionais e regulação e Damaso acompanha TOMBINI como chefe de gabinete. O titular de política econômica ainda é Carlos Hamilton Araújo, em férias, e deixando a instituição a pedido. 

    Funcionário de carreira pública que trabalhou no BB, na Caixa, no Ministério do Planejamento, na Fazenda, no IRB e no BC, Damaso deve assumir uma das duas pastas acumuladas por Awazu, regulação – onde inclusive trabalhou como consultor. Para comandar a diretoria de assuntos internacionais o indicado por TOMBINI é o economista Tony Volpon, diretor executivo, chefe de pesquisas para mercados emergentes das Américas da Nomura Securities, em Nova York. 

    Ele será o primeiro integrante do comando do BC que vem do setor privado desde o fim de março de 2010, quando Mario Mesquita deixou o BC e conseguiu fazer Carlos Hamilton o seu sucessor no comando da diretoria de política econômica sob a presidência de Henrique Meirelles. 

    O desdobramento da cota de Awazu Pereira, visto como o diretor do BC mais tolerante com a inflação – portanto o mais brando na gestão da política de juros -, aumentou de 8 para 9 o número de integrantes da diretoria colegiada, incluindo o presidente da instituição. Essa composição se estende ao Comitê de política monetária (Copom). Desde o primeiro mandato de TOMBINI até a reunião do Copom realizada em janeiro, embora Awazu respondesse por duas diretorias, o seu voto era um só nas decisões do colegiado. 

    Com o “update” do comando do BC, quando aprovado formalmente por Dilma e pelo Senado Federal, o resultado do Copom passa de 8 para 9 votos e, independentemente do placar de qualquer uma de suas oito reuniões anuais, o resultado deixará de ser um número par e passará a ser um número ímpar. É um detalhe apenas, não é uma revolução de costumes, mas será mais rápido para ALEXANDRE TOMBINI obter a maioria nas votações na principal instância de decisão de política monetária do país. 

    O Copom, idealizado e instituído em 1996 pelo economista e ex-presidente do BC, Francisco Lopes, é um fórum de discussão exclusivo da autoridade monetária.

    E cumpre rituais, inclusive regulatórios, até para a divulgação da taxa básica do Brasil, assim que encerrado, pelo presidente da instituição, o segundo dia de reunião.

    Em todo mês de junho, o BC publica o calendário das reuniões do Copom para o ano seguinte.

    São programados oito encontros com intervalos regulares de cerca de 45 dias. O primeiro encontro de 2015 já ocorreu. A decisão foi unânime e confirmou a expectativa – também unânime – de economistas e chefes de tesourarias. A Selic subiu 0,50 ponto, de 11,75% para 12,25%. O colegiado volta a se reunir – possivelmente na versão ampliada – com a política econômica “sob nova direção” de Awazu Pereira em 3 e 4 de março.

    No Copom em sua formação do primeiro mandato, TOMBINI “seria muito possivelmente acompanhado em sua decisão por 3 dos 7 membros da diretoria. TOMBINI seria o oitavo voto” comenta um conhecedor dos ritos do BC ao Casa das Caldeiras, blog da redação do Valor. Após a mudança da diretoria, agora em curso, TOMBINI tem a chance de obter 5 dos 8 votos dos diretores. O presidente do BC terá o nono voto – o que tem poder de fazer a maioria.

     

    Fonte: Valor Econômico

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