SINAL RS envia requerimento a Galípolo
Preocupado com a significativa deterioração do clima dentro do Banco Central e mesmo entre a comunidade baceniana, demonstrada por condutas que parecem estar sendo toleradas pela administração do BC, o Conselho Regional redigiu um requerimento ao Presidente Gabriel Galípolo, com o auxílio de sua assessoria jurídica.
O pedido de providências foi enviado em 4 de março, junto a um arquivo contendo amostra de manifestações com conteúdo ofensivo e que configuram discurso de ódio em espaços que congregam servidores do Banco Central, inclusive, ambiente institucional. A amostra evidencia um problema estrutural, ao abarcar servidores de quinze departamentos, e, dentre os agressores, comissionados que podem estar sendo tomados como exemplo pelos seus subordinados.
Diante da falta de retorno por parte do Presidente e seu gabinete, a Presidenta do CR, Fernanda Nedwed Machado, acionou o Diretor de Administração do BC, Rodrigo Alves Teixeira, no dia 14 de abril. O Diretor afirmou ter dado encaminhamento à documentação, porém, até o momento, não houve retorno.
Segue o texto enviado ao Presidente:
“Exmo. Sr. Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo:
Objeto: pedido de providências.
SINDICATO NACIONAL DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO CENTRAL – SINAL, seção regional de Porto Alegre, entidade sindical inscrita no CNPJ n. 61.053.070/0005-26, com endereço na Rua dos Andradas, 943, conjunto 404, bairro Centro, Porto Alegre, RS (CEP: 90020-005), vem a V. Exa. dizer e requerer:
O objetivo deste requerimento é preservar a ética no diálogo entre servidores do Banco Central e destes com a população.
Tornou-se necessário porque identificou, em ambiente institucional de diálogo (p.ex.: “Cafezinho”), várias mensagens com conteúdo ofensivo e que configuram discurso de ódio dirigido contra pessoas com mais idade, contra as mulheres, contra o sindicato que representa a categoria e, inclusive, contra as crenças religiosas, conforme se pode verificar nos documentos em anexo (cópia exemplificativa desses discursos).
É preciso zelar pelo respeito à dignidade dos interlocutores em qualquer diálogo, sob pena de a omissão interditar o próprio diálogo. Quando o ódio é tolerado, a diversidade de ideias é aniquilada e, por conseguinte, aniquila-se a possibilidade de haver o diálogo e em seu lugar passa a existir o monólogo da exclusão.
Importante ter presente a observação feita por Zygmunt Bauman: “A internet e as mídias sociais podem servir, igualmente de forma eficaz, à inclusão assim como à exclusão, ao respeito e ao desprezo, à amizade e ao ódio. A responsabilidade de escolher recai diretamente sobre os nossos ombros de navegadores. Podemos usar a mesma faca para cortar pão ou gargantas: para qualquer uso que ela se destine, quem a detém a quer afiada. A web afia os instrumentos, mas nós escolhemos a sua aplicação”.
No ambiente público, a responsabilidade recai sobre quem exerce a função de administrador, e o dever de agir para garantir o diálogo e coibir discursos de ódio está previsto em várias normas de conhecimento de V. Exa., que se encontram na Constituição Federal, no Estatuto dos Servidores Públicos, no Manual de Boas Práticas em Mídias Sociais e no Guia de Ética do Banco Central do Brasil, no Código Penal, além de tratados e convenções ratificados pelo Brasil.
O requerente fez a sua escolha, escolheu a defesa do diálogo e do respeito mútuo. Apresenta-lhe o documento em anexo (compilação de discursos de ódio veiculados em mídia institucional do Banco Central, inclusive, por servidores que exercem funções comissionadas) para que V. Exa. faça a sua escolha.
Ante o exposto, pede providências.
Pede Deferimento.
Porto Alegre, 04 de março de 2026.
Fernanda Nedwed Machado.
Presidenta do Conselho Regional do SINAL de Porto Alegre, RS.”
Porto Alegre, 5 de maio de 2026.
CONSELHO REGIONAL
SINAL- Seção Regional de Porto Alegre
