VITRINE CULTURAL: COMBATE À MISOGINIA
Em 24 de março, o Senado aprovou por unanimidade a inclusão da misoginia entre os crimes de preconceito e discriminação inscritos no PL 896/2023, com previsão de pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. O projeto, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB/MA) já está em debate na Câmara, onde encontra resistência de alguns deputados e deputadas, por incrível que pareça. A voz mais estridente é a do deputado Nikolas Ferreira (PL/MG) que, em discurso mentiroso sobre o projeto de lei, prometeu combatê-lo. O dispositivo legal não deveria ser objeto de disputa ideológica, já que a misoginia, que se manifesta em discursos de ódio e incentivo a agressões contra as mulheres, está na raiz de todas as violências que atingem mulheres em nossa sociedade, sejam na forma de assédio moral, psicológico, sexual ou, mais grave ainda, de números assustadores de estupros e feminicídios.
Para compreender melhor como essa máquina de ódio contra as mulheres funciona, vale a pena assistir na Netflix ao documentário Por Dentro da Machosfera, de Louis Theroux, documentarista britânico que investigou esse universo e conseguiu entrevistar alguns influenciadores que se tornaram milionários propagando a violência com discursos misóginos, homofóbicos e antissemitas.

Os conteúdos de ódio e violência são disseminados em redes sociais não reguladas, multiplicando seguidores, principalmente adolescentes, e gerando curtidas que se traduzem em mais renda de publicidade para influenciadores cuja fama aumenta, à medida que exibem músculos turbinados com testosterona, agressividade gratuita e símbolos de riqueza. Aliás, segundo o psiquiatra e sexólogo Arnaldo Barbieri Filho, está havendo um abuso de androgênios, frequentemente por automedicação, principalmente entre jovens que buscam o aumento da massa muscular e da força, o que pode provocar uma série de efeitos adversos, tais como hipertrofia do coração, tumores no fígado e até mesmo infertilidade, além de transtornos psiquiátricos. Impulsionada pelos algoritmos das redes sociais, a misoginia está enriquecendo alguns homens, idolatrados em comunidades virtuais ultramachistas, e adoecendo muitos outros, enquanto as mulheres sofrem as consequências mais graves.
No cinema de ficção, o tema da violência doméstica é abordado há décadas. O filme de suspense Dormindo com o Inimigo, de 1991, estrelado pela atriz Julia Roberts, é uma referência do gênero e pode ser revisto no streaming da Disney.
Lançado na plataforma Netflix em 2022, a comédia dramática indiana Darlings aborda o tema de forma mais leve e divertida. Apesar de ter gerado algumas críticas negativas por essa abordagem um tanto irreverente, o filme mostra como é difícil para muitas mulheres escapar de uma relação conjugal abusiva, quando o homem é sedutor, manipulador e mentiroso contumaz, o que acontece em muitos casos. Somente depois de sofrer inúmeras agressões do marido, a protagonista Badru, muito bem interpretada pela atriz Alia Bhatt, decide se vingar dele com a ajuda da mãe. A partir daí, ocorre uma série de situações meio absurdas e tragicômicas, com um desfecho surpreendente.

Para quem gosta de séries de suspense e dramas psicológicos, recomendo assistir à minissérie O Monstro em Mim, disponível na Netflix. Em atuação impecável, a atriz Claire Danes vive uma escritora famosa, em luto pela trágica morte de seu filho. Aggie Wiggs é convencida pelo vizinho, Nile Jarvis, magnata do setor imobiliário, suspeito pelo desaparecimento da ex-esposa, a escrever sua biografia. A personalidade sedutora, narcísica e violenta desse personagem, muito bem interpretado por Matthew Rhys, mostra-se aos poucos, em uma série de entrevistas com a biógrafa, produzindo tensão e suspense no espectador. Ao mesmo tempo, é possível observar a relação de dominação que o empresário mantém com sua mulher atual, que evita confrontá-lo com suspeitas. O final, surpreendente e revelador de segredos, provoca uma reflexão sobre as fraquezas e vaidades humanas, presentes em todos nós.
Simone Daumas é servidora aposentada do Banco Central do Brasil e Conselheira Regional do Sinal-RJ.
A coluna expressa opiniões da autora e não reflete necessariamente o posicionamento do Sinal-RJ.
Envie críticas, comentários e sugestões para simone.daumas@gmail.com
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