Edição 591 – 22.05.2026

VITRINE CULTURAL – HOMENAGEM ÀS MÃES (PARTE II)

 
Em seu mega show em Copacabana, antes de cantar Soltera, Shakira emocionou o público homenageando as mães solteiras de todo o Brasil, que já representam 13,5% dos lares brasileiros. O Censo do IBGE de 2022, de fato, apontou que cerca de 7,8 milhões de mulheres criavam os filhos sozinhas, enquanto apenas 1,2 milhão de homens estavam na mesma situação, ou seja, para cada pai solo, havia seis mães solteiras no Brasil.
Portanto, nesse mês das mães, também quero parabenizar especialmente as mães solo, que precisam se desdobrar em várias para criar seus filhos sozinhas. Como a maioria delas (62%) é composta de mulheres negras, cito aqui, em sua homenagem, um lindo poema do poeta moçambicano Marcelino dos Santos:
Sonho de mãe negra*

Mãe negra
Embala o seu filho
E esquece
Que o milho já a terra secou
Que o amendoim ontem acabou.
Ela sonha mundos maravilhosos
Onde o seu filho irá à escola
À escola onde estudam os homens 
Mãe negra
Embala o seu filho
E esquece
Os seus irmãos construindo vilas e cidades
Cimentando-as com o seu sangue 
Ela sonha mundos maravilhosos
Onde o seu filho correria na estrada
Na estrada onde passam os homens
Mãe negra
Embala o seu filho
E escutando
A voz que vem do longe
Trazida pelos ventos
Ela sonha mundos maravilhosos
Mundos maravilhosos
Onde o seu filho poderá viver.
*Marcelino dos Santos
Quanto à renda, o Censo 2022 mostrou que mães solteiras têm rendimento 39% inferior ao dos homens casados com filhos e 20% menor do que as mulheres casadas com filhos. Em parte, isso se explica pela baixa escolaridade, pois mais de 55% não conseguiram completar o ensino médio, mas também pela dificuldade de inserção no mercado formal de trabalho, seja pela falta de creches e escolas em tempo integral ou pela discriminação de empregadores. Assim, grande parte delas trabalha na informalidade e enfrenta uma situação de vulnerabilidade. Para melhorar a situação de muitas mães brasileiras, são necessárias mais políticas públicas de cuidado e assistência às mulheres.
Como o mês de maio inicia com o Dia do Trabalhador, é bom lembrar também das históricas e sucessivas lutas dos trabalhadores pela redução da jornada de trabalho. Atualmente em discussão, o projeto de lei que prevê o fim da escala 6×1 pode beneficiar cerca de 14 milhões de brasileiros, inclusive 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas. Isso significa mais qualidade de vida para todos, mas para as mães, solteiras ou não, é mais importante ainda, pois propicia mais tempo para estudar, cuidar de seus filhos e ter algum descanso e lazer, indispensáveis para a promoção da saúde física e mental.
Por fim, recomendo assistir na Netflix ao excelente filme Mães Paralelas, de Pedro Almodóvar, que trata de uma relação inesperada entre duas mães solteiras que dividem o mesmo quarto na maternidade, no dia do parto: Janis, uma mulher já madura, interpretada por Penélope Cruz, e a jovem Ana, vivida pela atriz Milena Smit. Apesar de terem engravidado em situações muito distintas, elas enfrentam dificuldades semelhantes para lidar sozinhas com seus bebês.

Além do tema da maternidade solo, o filme também retrata um drama familiar de Janis, que busca um arqueólogo para recuperar os restos mortais de seu bisavô e de outros homens do mesmo vilarejo em que vivia, todos assassinados pelos falangistas durante a Guerra Civil Espanhola. Assim, a partir de um drama particular, Almodóvar relembra um passado histórico que ainda hoje assombra a Espanha.

 

Simone é servidora aposentada do Banco Central do Brasil e Conselheira Regional do Sinal-RJ.
A coluna expressa opiniões da autora e não reflete necessariamente o posicionamento do Sinal-RJ.
Envie críticas, comentários e sugestões para simone.daumas@gmail.com 

 

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