Edição 72 - 18/07/2007

Os Infiltrados

Em sua edição n 452, a revista Carta Capital aborda a promíscua relação do mercado financeiro com o Banco Central, por intermédio da indicação de estranhos à Instituição em seus mais altos escalões. Nesse sentido, transcrevemos matéria encaminhada ao referido semanário pelo Vice-presidente do SINAL/SP e membro do Conselho Nacional do SINAL, Valter Borges de Araújo Neto, em 11.07.07.

OS INFILTRADOS

O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (SINAL) – Regional São Paulo – parabeniza a reportagem "A Roda da Fortuna", matéria de capa da edição nº 452.

A matéria tem o mérito de revelar a promíscua relação do mercado com uma das mais sólidas e respeitadas instituições brasileiras: o Banco Central.

O SINAL considera oportuna a reportagem, porque vem há muito denunciando a ominosa prática de ex-integrantes dos altos escalões do BC de arrancarem vantagens pessoais de suas passagens, a maioria delas efêmeras, pelo Órgão público.

A quarentena, que na realidade dura três meses, como bem mostrou a matéria, é uma obra de ficção: não resguarda informações privilegiadas nem impede certas relações estratégicas – o que beneficia não apenas ex-diretores do Banco Central, mas, principalmente, bancos e corretoras de valores.

A reportagem mostrou também que em outros países, tais como a França, o período de quarentena é bem superior ao nosso, podendo chegar a quatro anos, tempo razoável para que o indivíduo, que não deixa de ser remunerado pelo governo, se desfaça de sua rede de influência oriunda do cargo que ocupou à frente da autarquia e ofereça ao mercado tão-somente a sua competência.

Já no Brasil, a impressão que se tem é que a cúpula do BC é integrada por "infiltrados" do sistema financeiro. Tamanha confusão entre interesses privados e aquele que deveria ser público está ancorado, infelizmente, na busca do lucro pessoal em detrimento da sociedade.

Uma alternativa para quebrar tal "intercâmbio" seria reservar cargos nevrálgicos do BC a funcionários de carreira, mais comprometidos com a instituição que os "infiltrados" do mercado. O mais urgente – e imprescindível! -, no entanto, é adotarmos no país uma quarentena efetiva, algo bem diferente da garantia meramente formal de que dispomos hoje.

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