Um fato a lamentar: a ausência dos (ainda) não-grevistas
Entendemos que a decisão de mobilizar-se por uma causa e de fazer greve é individual e depende da consciência de cada um. Temos adotado a política de construir pontes, não de levantar muros, tentando convencer os relutantes a juntarem-se a nós, e evitando adotar medidas constrangedoras.
Quando, no entanto, a luta da maioria beneficia a todos, inclusive àqueles que nada fizeram por merecer, nesta e na greve do ano passado, torna-se difícil aceitar passivamente a atitude dos não-grevistas. A liberdade de decidir de acordo com a "consciência", a qual respeitamos, passa a soar, no atual contexto, a oportunismo. Felizmente, a coragem e a determinação da maioria sobrepuseram-se à omissão de alguns.
Temos recebido informações de que a volta ao trabalho tem sido tensa em alguns lugares. Alguns não-grevistas resolveram "tirar um sarro" dos grevistas, desmerecendo a greve e lembrando-lhes a necessidade de compensar os dias parados. Um conselho: vamos manter a calma.
Aos que voltam da greve: vamos ignorar as provocações de alguns poucos. Nossa atitude coloca-nos acima de baixarias. O silêncio, por vezes, ecoa mais do que mil palavras. Obtivemos, os grevistas, vitórias financeiras para todos e, sobretudo, uma inquestionável vitória moral.
O colega não-grevista está esperando a folha suplementar? Que bom estarmos discutindo QUANDO receberemos e não SE receberemos uma grana extra.
Antes que ela chegue, agradeça, pois, ao seu colega grevista: é graças a ele que você verá efetivada a campanha salarial.
Onde está o respeito? A falência moral da elite política do país parece estar contaminando muitos de nós. Faça um profundo exame de consciência e, da próxima vez, participe do movimento. Os resultados poderão ser ainda melhores!

