Edição 24 - 01/04/2005

BC 40 ANOS: tempo para refletir

O Banco Central do Brasil fez quarenta anos como manchete de vários jornais, o que não é exatamente uma novidade.

A mesma mídia que o festejou foi aquela acostumada a, uma vez por mês, guindá-lo à primeira página por conta da alteração da taxa dos juros.

Não se pode dizer que os quarenta anos do BC sejam um marco em sua maturidade: esperam-se centenários para instituições que se pretendam sólidas e representativas de um país.

O número redondo, porém, convida a reflexões sobre o futuro do Órgão e seus rumos. Para onde vai esse BC do COPOM? Em tempos de governo (que se intitula) popular, não faz sentido o distanciamento da sociedade a que hoje o BC está submetido, por forças legais e pela condução ortodoxa da política governamental adotada com "Lula lá".

Está aí, e não nos deixa mentir, a anunciada "reestruturação" das CAPs, que redundará num afastamento ainda maior da população, colocando o BC numa redoma intocável e distante do que deveria ser seu dever: a proteção da economia popular.

O Banco Central importa para o Brasil, sim, mas não só para o mercado. Importa para a sociedade, em última instância, e simultaneamente, sua beneficiária e mantenedora. Foi o trabalho sério, qualificado e independente dos funcionários do BC que forjou a imagem de credibilidade de que ele hoje desfruta.

É esse trabalho que precisa ser prestigiado com uma rediscussão dos rumos do Órgão, na direção de um papel que atenda a interesses gerais dessa sociedade. Um nível razoável de autonomia orçamentária e administrativa, de saída, permitiria ao Banco o melhor cumprimento de suas atribuições.

E, ao funcionalismo, a valorização de seu papel como promotor do nível de eficiência e qualidade de que hoje a instituição se reveste.

Edições Anteriores RSS
Matéria anteriorELEIÇÕES DO SINAL-SP E CAMPANHA SALARIAL
Matéria seguinteAgenda do SINAL: