Edição 0 - 30/04/2004

PALOCCI RECEBE SINAL; NEGOCIAÇÃO MESMO, NADA

(Assessoria de imprensa do SINAL)

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, recebeu o presidente do SINAL, S‚rgio Belsito, e mais oito dirigentes sindicais ontem, na sede do Minist‚rio, …s 21h10. Ele cumpriu a promessa, feita pela manhÆ, de conversar com os representantes dos servidores no final do expediente. A reuniÆo, que durou cerca de 50 minutos, mostrou um Palocci perfeitamente encaixado no seu papel de guardiÆo solene das chaves do cofre: gentil e sol¡cito na maior parte do tempo.

 importante que se diga: o ministro chantageou o funcionalismo ao dizer que nÆo negocia com quem est  em greve.  bem verdade que tal afirma‡Æo nÆo passa de um blefe. Vocˆ acha que ele receberia os sindicalistas sem a paralisa‡Æo vitoriosa de ontem? NÆo.

Belsito disse ao ministro que aquele grupo era porta-voz da revolta do funcionalismo da fiscaliza‡Æo financeira e do ciclo de gestÆo. "NÆo temos com quem conversar", afirmou o presidente do SINAL, j  que o governo excluiu esses servidores da proposta de reajuste apresentada na Mesa Nacional de Negocia‡Æo Permanente.

Palocci retrucou que s¢ ontem "descobriu" que havia servidores insatisfeitos nessas categorias. O ministro jurava que todos os nossos problemas teriam sido resolvidos com a aprova‡Æo do PCS no ano passado.

Estranhamente (j  que lhe enviamos duas cartas s¢ neste ano, pedindo Mesa Setorial para o BC), o secret rio-executivo adjunto do Minist‚rio, Arno Augustin, disse, em adendo … afirma‡Æo do chefe, "que os dirigentes sindicais haviam subscrito o PCS" – e isso, em princ¡pio, traduziria satisfa‡Æo com a reestrutura‡Æo de carreiras desenhada por aquele plano.

Puro cinismo, j  que o pr¢prio Arno havia "fechado" as negocia‡äes em 2003 sabedor das condi‡äes colocadas para a assinatura. Quando cobrado pelo Presidente do SINAL quanto … resposta …s duas missivas, respondeu com silˆncio.

O presidente Belsito "fez lembrar" ao ministro que o PCS trouxera benef¡cios apenas para os servidores dos n¡veis de ingresso e que, s¢ por terem consciˆncia disso, as entidades assinaram na ocasiÆo o PCS; com a ressalva, por‚m, de que seria preciso discutir um novo plano de cargos que resolvesse as distor‡äes que afetam os funcion rios do meio e do final da carreira. O governo, acrescentou Belsito, se comprometera a retomar esta discussÆo ap¢s a aprova‡Æo da reforma da Previdˆncia. Para al‚m disso, o PCS tamb‚m nÆo anulou as perdas salariais de oito anos da era FHC e a infla‡Æo de 9,5% do primeiro ano do governo Lula.

Em rela‡Æo …s tabelas do novo plano de cargos dos auditores da Receita, resultado de recente negocia‡Æo com o Planalto, Palocci afirmou que elas nÆo constituem um novo plano de carreira e sim um esfor‡o no combate … sonega‡Æo, "um trabalho importante" dos profissionais da Receita. Depois dessa observa‡Æo "falha", o ministro da Fazenda tentou emendar-se, ressaltando a importƒncia de todas as categorias ali presentes, mas ficou evidente a sensa‡Æo de que a isonomia salarial, ou pelo menos um tratamento minimamente equƒnime no tocante … negocia‡Æo, nÆo faz parte, neste momento, dos planos do governo.

O ministro – mantendo na mis-em-scŠne a solenidade do cargo – ponderou que nÆo tem como negociar com aquele grupo de entidades porque tem poderes limitados. Na pr tica, Palocci tentou empurrar o pessoal do Ciclo de GestÆo e do N£cleo de Fiscaliza‡Æo Financeira para o pƒntano da Mesa de Negocia‡Æo Permanente. Percebendo, por‚m, que esse encaminhamento nÆo agradava aos dirigentes, encarregou o secret rio Arno Augustin de levantar a situa‡Æo de cada carreira e, a partir desse levantamento, procurar pessoalmente as entidades com uma posi‡Æo oficial do governo.

NÆo se esperava "discurso" diferente, mas foi a mobiliza‡Æo forte de ontem a razÆo do acesso ao Minist‚rio da Fazenda. Donde se concluir que s¢ o movimento conjunto, com a presen‡a maci‡a do funcionalismo e seus apita‡os, re£ne a for‡a necess ria para abrir as portas do Planalto aos servidores do Banco Central.

Continuar na luta ‚ a palavra ! O dia de ontem foi s¢ um abre-alas !

Re£na suas for‡as porque vem mais por a¡ !

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