Edição 0 - 29/03/2004

CUT E MANTEGA REUNIDOS PARA NEGOCIAR REAJUSTE: CONTRA SERVIDORES “ESPECIAIS” COMO NÓS

(Assessoria de imprensa do SINAL)


NÆo se pode negar o papel hist¢rico que a CUT desempenhou para o avan‡o das lutas populares no Brasil. Mas, como todo mundo sabe, a Central se desgastou com o servidor p£blico porque ap¢ia o governo Lula praticamente sem restri‡äes. Em fun‡Æo disso, a Plen ria Nacional dos Servidores desautorizou a CUT a negociar qualquer acordo com o governo em nome dos servidores. Ainda assim, a dire‡Æo da entidade se reuniu na sexta-feira com o Ministro Mantega justamente para tratar do nosso aumento.


No in¡cio do ano, a CUT salientava a necessidade da recomposi‡Æo imediata das perdas do servidor. Isso exigiria um aumento de pelo menos 50,19%, ¡ndice que abrange as perdas desde junho de 1998 – quando o Supremo obrigou FHC a pagar o reajuste anual – at‚ dezembro de 2003. Esse discurso, por‚m, mudou da  gua para o vinho em fevereiro, quando o governo Lula prop“s o rid¡culo percentual de at‚ 0,5 % em troca de gratifica‡äes de desempenho de at‚ 20 % para aqueles que ganham menos.


Desde entÆo, a CUT abandonou a defesa do reajuste emergencial. Na reuniÆo com Mantega, que o SINAL acompanhou de perto na qualidade de ouvinte, essa postura ficou evidente. A CUT s¢ nÆo aceita que os aposentados sejam exclu¡dos ou marginalizados com um valor inferior na gratifica‡Æo de desempenho.


Os aposentados estÆo revoltados e isso est  gerando um campo de instabilidade para todas as entidades“, afirmou Pedro Armengol, da CONDSEF (Confedera‡Æo Nacional dos Servidores Federais). O presidente da CUT, Luiz Marinho, seguiu a mesma linha, defendendo a isonomia entre ativos e aposentados. Para que isso seja poss¡vel, os dirigentes da CUT reivindicam uma suplementa‡Æo or‡ament ria de R$ 1 bilhÆo.


A atua‡Æo do Ministro Guido Mantega na reuniÆo foi um cap¡tulo … parte. Embora tratasse cada sindicalista como igual e fosse o mestre-de-cerim“nias do debate, o Ministro …s vezes demonstrava certa impaciˆncia com o discurso dos “companheiros”. Ora tamborilava o l pis na mesa, como se estivesse torcendo para aquela audiˆncia acabar logo, ora exprimia um ar de enfado, t¡pico do jogador que perdeu a concentra‡Æo na partida.


Seja como for, quando os 11 sindicalistas terminaram de expor suas id‚ias, Mantega tinha a resposta …s duas questäes colocadas pelos dirigentes sindicais. O Ministro concordou que nÆo seria justo oferecer aos aposentados uma porcentagem muito pequena da gratifica‡Æo de desempenho que ser  paga aos servidores da ativa. Disse que at‚ ter‡a-feira, dia 30, data da nova reuniÆo da Mesa de Negocia‡Æo Permanente, o governo vai apresentar uma solu‡Æo para esse problema.



Quanto … suplementa‡Æo or‡ament ria, tanto Mantega quanto seu colega Luiz Dulci, tamb‚m presente … reuniÆo, disseram que s¢ o Presidente Lula poderia autorizar um maior aporte de recursos para o funcionalismo. Como Mantega est  representando o Brasil na reuniÆo do BID e s¢ retorna na quarta-feira, o assunto suplementa‡Æo s¢ ser  resolvido, se for, na pr¢xima semana.


O servidor do BC nÆo deve ter ilusäes. Tanto Mantega quanto a maioria dos sindicalistas estÆo prestes a fechar um acordo. Os cutistas, em especial, criticam a toda hora o tratamento diferenciado supostamente dado …s chamadas “carreiras t¡picas de Estado” e entendem que esse pessoal (em que se inclui o funcion rio do BC) nÆo merece receber nada no momento. O que importa, para eles, ‚ recompor a injusti‡a feita com os servidores do chamado PCC (Plano de Classifica‡Æo de Cargos), massacrados no governo FHC.


A £nica entidade que nÆo concorda com essa posi‡Æo ‚ o Andes (Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior). Antonio Luiz de Andrade, dirigente do Andes presente … reuniÆo, disse que o seu sindicato ‚ totalmente contr rio …s gratifica‡äes de desempenho.  Para ele, sÆo penduricalhos criados pelo governo para diminuir o sal rio do aposentado, que, em m‚dia, se aposenta com apenas 60% do valor das gratifica‡äes.


O Andes, por sinal, defendia (e continua defendendo) a incorpora‡Æo das gratifica‡äes aos sal rios, um reajuste linear capaz de recompor as perdas que TODOS os servidores tiveram, e a defini‡Æo das diretrizes de carreira, essa, sim, a forma racional e justa de corrigir as distor‡äes salariais dentro do funcionalismo p£blico.


A CUT nÆo tem, ao que parece, os mesmos objetivos. A entidade criticava FHC pelo favorecimento a certas carreiras porque isso criava uma cisÆo entre os servidores. Agora faz o mesmo, com sinais trocados.


 


 

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