Tunga de dinheiro e poder
Temos denunciado aqui nos Apitos (veja “CUT quer negociar com Lula o reajuste do servidor“, de 26.2, e “Governo chantageia servidor com vale-alimenta‡Æo“, de 10.3) a insistˆncia da CUT em “defender” os servidores “junto” ao governo, apesar de por eles desautorizada, e de como essa “parceria” governo-centrais tende a se tornar uma “panela” centralizadora que tender a passar por cima dos anseios oriundos dos diversos segmentos de servidores, em seu preju¡zo.
Tunga de dinheiro e poder
(Elio Gaspari, na Folha e n’O Globo de ontem)
H uma tunga de poder e dinheiro no forno dos companheiros. Chama-se reforma sindical. Pretende avan‡ar no bolso dos trabalhadores e criar uma nova esfera de poder no pa¡s: as centrais (leia-se CUT e For‡a Sindical). A tunga est no forno, mas isso nÆo significa que ser servida. Se algu‚m se mexer, ela pode queimar, ir ao lixo ou, na melhor das hip¢teses, mudar de tempero e de ingredientes.
Para quem j ouviu falar em pluralidade sindical, a reforma prevˆ essa possibilidade, mas d at‚ cinco anos de sobrevida aos atuais monop¢lios da representa‡Æo dos trabalhadores.
Falou-se no fim do Imposto Sindical (um dia de trabalho da choldra). O anteprojeto discutido por governo, sindicatos, centrais e empres rios acaba com ele. Troca-o por outro.
Hoje esse imposto equivale a 0,33% da folha. Pode-se estimar que outros penduricalhos sindicais tomem aos trabalhadores algo como 1,1% da folha de pagamento. O anteprojeto legitima as tunguinhas numa s¢ tungona. poss¡vel que, ao fim das contas, resulte em algo pr¢ximo a 1,1% da folha. Com mÆo de seda, o rascunho da reforma quer morder o bolso dos 10 milhäes de funcion rios p£blicos. Os 600 mil servidores civis federais podem render R$ 600 milhäes anuais para os donos do aparelho sindical. O presidente do SindLegis, Ezequiel Nascimento, ‚ claro: “Isso ‚ assalto. Querem criar um novo centro de poder. Quem o controla?”.
O anteprojeto de reforma d …s centrais poder de bara‡o e cutelo. FicarÆo com 10% do ervan rio e poderÆo se sobrepor …s assembl‚ias sindicais.
H uma certa pressa em mandar ao Congresso as conclusäes do anteprojeto do F¢rum Nacional do Trabalho. Pena. As propostas deveriam ser submetidas a um debate mais amplo, sem nenhuma pressa. Para um sindicalismo que defendeu o fim de um imposto e agora aparece com outro, a novidade merece respeito.
O debate ‚ necess rio at‚ porque o Brasil precisa de um sindicalismo forte (leia-se sem pelegos) e a massa das contribui‡äes recebidas pelos sindicatos est entre as menores do mundo. cinco vezes menor do que as vigentes nos Estados Unidos, JapÆo, Fran‡a ou Argentina.

