País pobre, bancos ricos
Editorial do Correio Brasiliense de hoje
NÆo se pode qualificar senÆo como grave degenera‡Æo do sistema financeiro os lucros obtidos pelos bancos em 2003. Os balan‡os de dezoito institui‡äes com peso superior no mercado mostraram excedentes l¡quidos de R$ 12,375 bilhäes, aumento de 4,2% em rela‡Æo a 2002 (R$ 11,876 bilhäes). Confirma-se, assim, que o setor obteve os maiores resultados da hist¢ria do pa¡s. Ano passado, o Brasil nÆo conseguiu romper a barreira da estagna‡Æo. O crescimento econ“mico nÆo foi al‚m de raqu¡tico 0,4% em compara‡Æo a 2002.
NÆo vale acolher como milagre o desempenho colossal da banca em um cen rio de economia debilitada, desemprego acima de 12%, queda da renda salarial (l5% em 2003). O fen“meno resulta, na quase totalidade, da explora‡Æo de atividades alheias … produ‡Æo de bens e servi‡os e aplica‡Æo em opera‡äes especulativas. NÆo h milagre, h um desvio incompat¡vel com a principal fun‡Æo dos bancos nas economias de escala – a de concorrer na busca de lucros mediante participa‡Æo ativa no processo de enriquecimento econ“mico.
Com 30% a 40% das disponibilidades investidos em t¡tulos emitidos pelo Tesouro, a rede banc ria tem no governo seu principal cliente. um devedor munido de liquidez garantida, paga juros extorsivos e quase nÆo provoca despesas admi-nistrativas aos credores. Com as finan‡as p£blicas em crise cr“nica, os bancos contam com a inevit vel recorrˆncia do governo aos seus ativos para rolar a d¡vida p£blica (R$ 737,34 bilhäes, 58,2% do PIB, dados de dezembro de 2003).
Nas receitas escrituradas h parcelas que demonstram a vol£pia por lucros f ceis. Nada menos de R$ 20,764 bilhäes do faturamento das dezoito institui‡äes procedem da cobran‡a de taxas pagas por correntistas (alta de 18,6% em compara‡Æo a 2002). Os rendimentos faustosos se justificam tamb‚m pela atua‡Æo em reas com potencial de alta rentabilidade – seguros, previdˆncia e cartäes de cr‚dito, entre outras. preciso confinar o caso dos cartäes em espa‡o operacional onde se manipula o cr‚dito com ganƒncia acima de qualquer limite ‚tico: os juros cobrados sÆo (em m‚dia) 10,22% ao mˆs, mais de 300% ao ano.
Supunha-se que os bancos estrangeiros, aqui admitidos em razÆo dos esfor‡os para a inser‡Æo mundial da economia brasileira, instilariam dinamismo na concorrˆncia. Em vÆo. Trabalham em regime de compartilhamento de objetivos e dos mesmos favores prodigalizados pelo mercado. Assim, todos auferem lucros nababescos, enquanto o pa¡s empobrece … mingua de cr‚dito (com remunera‡Æo civilizada) para o desenvolvimento do setor produtivo. Est claro que tarda a reforma do modelo para demolir semelhante barreira ao crescimento do pa¡s.

