PAIM AVISA: SE A REFORMA DA PREVIDÊNCIA NÃO MUDAR, VOTARÁ CONTRA O GOVERNO
(Assessoria de imprensa do SINAL em Bras¡lia)
A bancada do PT do Senado fechou questÆo em torno da reforma
da Previdˆncia. Isso significa, pelo menos em tese, que o partido vota unido
pela aprova‡Æo da proposta original da reforma da previdˆncia e tamb‚m da PEC
paralela que o l¡der do partido no Senado, TiÆo Viana (AC), encaminhou ao
plen rio anteontem com algumas mudan‡as cosm‚ticas no texto aprovado pela
Cƒmara. O senador Paulo Paim (PT-RS) disse ontem, em entrevista ao SINAL, que,
se nÆo houver mudan‡as no projeto, votar contra o governo.
"Eu falei para o l¡der (Aloizio Mercadante) e para a bancada,
de forma muito respeitosa, que tenho dois grandes problemas: paridade e
transi‡Æo. Eu relatei que me sinto em uma situa‡Æo desconfort vel e nÆo teria
condi‡Æo de acompanhar a bancada se nÆo for constru¡do um entendimento nessa
rea".
Setores mais … esquerda do PT acham que Paim, no seu esfor‡o
por uma negocia‡Æo, acaba fazendo o jogo do governo. A cr¡tica seria procedente
se a pol¡tica nÆo fosse um jogo cheio de sutilezas. Numa semana em que o
deputado Fernando Gabeira deixa o PT com um discurso contundente contra o
oportunismo transgˆnico do governo Lula, Paim ratifica a existˆncia de um n£cleo
de parlamentares que faz oposi‡Æo ao Planalto sem fazer alarde sobre isso.
Assim como Paim, a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) afirma
que nÆo decidiu se vai acompanhar a bancada na hora da vota‡Æo. Integrante do
grupo Articula‡Æo de Esquerda do PT (um racha da corrente majorit ria, a
Articula‡Æo de Lula), Serys ainda luta para garantir mais avan‡os no texto
aprovado pelo governo.
O entrave para a negocia‡Æo continua sendo a PEC paralela. O
governo d ind¡cios de que nÆo tem medo de votar o requerimento do senador
Dem¢stenes Torres que, valendo-se do regimento interno, quer for‡ar a tramita‡Æo
conjunta das PECs no Senado.
Paim ‚ comedido a respeito, mas ele nÆo confia no que lhe
dizem os l¡deres do governo. "O que nos falaram o l¡der Mercadante e o l¡der
TiÆo Viana", relata Paim, "‚ que haveria um acordo envolvendo o Presidente da
Cƒmara, do Senado, o Presidente Lula, l¡deres de todos os partidos, para que
essa PEC seja votada junto com a PEC chamada principal. Se isso acontecer, n¢s
nÆo teremos uma PEC que ficar circulando eternamente atr s da principal."
Logo depois de dizer isso, Paim faz declara‡äes como se
soubesse que o aceno de Mercadante em prol de uma negocia‡Æo nÆo passa de jogo
de cena. Diz que, em seus 17 anos de Congresso, sempre honrou os acordos que
fez. E, para quem nÆo honra acordos – no fundo, o seu grande receio em rela‡Æo …
tropa de choque de Lula -, o senador ga£cho diz que "o caminho da rua ‚ a
porta", uma afirma‡Æo que ele deixa no ar, sem querer dar mais detalhes, mas que
parece apontar para o seu poss¡vel rompimento com o partido.
Em face de tudo isso, nÆo ‚ uma quimera supor que alguma
mudan‡a ainda possa correr na reforma da previdˆncia. Que tipo de mudan‡a,
exatamente, talvez nem Deus saiba ao certo.

