Edição 0 - 10/09/2003

O BC … e o “novo” estilo de governar o País

Em sua tradicional coluna na £ltima p gina de VEJA da semana
passada, Roberto Pompeu de Toledo analisa o "equil¡brio" de trˆs faces da nova
Presidˆncia do Brasil: emocional, ol¡mpica e blindada.

A primeira (todos j  se terÆo dado conta disso h  tempos)
trata da demonstra‡Æo pessoal genuinamente calorosa do chefe da na‡Æo diante de
cat strofes e trag‚dias. Da segunda, o colunista traz-nos a "constru‡Æo
racional" de uma nova face do Presidente: ao renegar seu esquerdismo
recentemente, pretende colocar-se "acima do bem e do mal" – longe da comezinha
disputa pol¡tica e junto … emo‡Æo popular.

A face "blindada" decorreria da "feliz conjuga‡Æo" das duas
primeiras, e seria a respons vel por vir isentando o Presidente de escƒndalos
como o do INCA, que, embora levando de roldÆo nomes importantes, deixou inc¢lume
a sua figura.

DirÆo todos: e n¢s com isso? N¢s, servidores p£blicos do
Brasil em rela‡Æo … reforma da Previdˆncia; n¢s, servidores p£blicos do Banco
Central no que tange ao PCS, estamos "levando as sobras": sendo "educados",
"postos de castigo", tal e qual os deputados petistas que se abstiveram de
votar, em primeiro turno, na reforma da Previdˆncia.

Estamos conhecendo, ao vivo e a cores, o estilo neo-"bolchevique"
(para usar uma palavra quase secular resgatada por Chico Alencar na semana
passada quando suspenso pelo partido) de conduzir o Estado e a m quina p£blica.

Estamos h  821 dias pleiteando um PCS decente, que contemple
de forma justa e indistinta todo o corpo funcional. Desses, 224 sendo
"enrolados" pela "ditadura da vontade" do novo governo.

Que, no mesmo per¡odo em que d  um "banho-maria" em
funcion rios concursados, de carreira, loteia o Estado e distribui 15.000 cargos
de confian‡a, "aqueles que podem ser preenchidos sem necessidade de concurso
p£blico"
.

Nos pr¢ximos meses, esse n£mero ter  chegado a 21.000,
conforme nos informa a VEJA ora em bancas, mas a pretensÆo ‚ chegar a 40.000
trocas em cargos de at‚ quarto e quinto escaläes, incluindo secret ria,
ascensorista e motorista em alguns casos. S¢ no BNDES, o "queridinho da mamÆe"
das estatais, a dire‡Æo acabou com 27 superintendˆncias e recriou onze, todas, ‚
claro, com novos chefes … do novo "lado".

Isso, ainda segundo a revista, poder  custar caro ao Brasil,
porque com as destitui‡äes em tÆo extensa escala "… o governo perde
milhares de servidores que funcionavam como a mem¢ria …" (…)
e
"Sabiam, pela experiˆncia acumulada em d‚cadas, tocar cada setor do Estado."

O fisiologismo existe desde antes de Cristo, e claro est  que
a uma "mexida" dessas grandes se seguiria uma explica‡Æo

"dos grandes", que tˆm usado os recursos "midi ticos"
poss¡veis para defender a nomea‡Æo de tantos protegidos. Em paralelo, por‚m, no
mais puro estilo "blindado a cr¡ticas", o governo ignora solenemente anseios,
expectativas e projetos de uma categoria que j  foi mais do que "testada" em sua
capacidade, seja pelo concurso p£blico dific¡limo que ultrapassou, seja pelos
servi‡os di rios rotineiramente prestados ao Brasil e … sociedade brasileira. E
cujo £nico defeito hoje parece ser o de nÆo ter um "lado" pol¡tico. Cujo pecado
‚ estar do lado do servi‡o p£blico.

NÆo deveria importar quem comanda, de parte do governo, as
negocia‡äes. Mas o fato ‚ que importa, e a negocia‡Æo ‚ "tocada" pelo humor do
condutor do momento. Nosso (at‚ aqui) interlocutor no Planejamento, Luiz
Fernando Silva, dizem os jornais de hoje, desligou-se afinal do Minist‚rio
(seria ele um "tucano" descoberto tardiamente?), e ele era quem j  havia
aprovado a GQ de 30 % para os t‚cnicos. Com o natural desprest¡gio originado
pela sua despedida, Luiz Alberto Santos, da Casa Civil, tomando as r‚deas, viu
nos 30% o "¢bice da vez" para vetar as en‚simas tabelas constru¡das pelo Depes.

E segue assim essa longa guerra de nervos que vem desgastando
o funcionalismo, f¡sica e emocionalmente. Ela tem, no entanto, a nosso ver,
alguns aspectos positivos in‚ditos na hist¢ria de tantos anos de movimentos
reivindicat¢rios do Banco Central.

H  uma unidade pol¡tica nunca vista. Com todas as dissensäes,
"rachas", divisäes; a despeito dos funcion rios que nÆo se integram aos
movimentos pelos mais variados motivos, luta-se hoje com um sentimento de coesÆo
em torno da institui‡Æo Banco Central.

E que nÆo se chame a isso corporativismo. O que h  ‚ uma
id‚ia, finalmente, de que nÆo estamos sendo levados a s‚rio como merecemos, de
que nÆo ‚ justo sermos chamados de "ilha de excelˆncia" pra inglˆs ver, tendo a
valoriza‡Æo correspondente … de "patinho feio".

In£meros colegas se deram conta do trabalho  rduo dos
sindicatos e da necessidade desse trabalho para se alcan‡ar objetivos comuns.
Muitos "batizaram-se", nas primeiras mobiliza‡äes de suas vidas.

Os sindicatos, na mesa de negocia‡äes mais recentes, se deram
conta de um Depes solid rio. Que lhes fez companhia em horas e horas de
"ch -de-cadeira" nas ante-salas ministeriais, e usando de empenho especial em
fazer aprovar as tabelas e os ¡ndices pleiteados pelos servidores.

SÆo conquistas subjetivas, mas verdadeiras.  o funcionalismo
respirando fundo para sair de uma letargia antiga, causada por um mea culpa
inexplic vel que historicamente habita seu ¡ntimo, impedindo-o de ser aguerrido
em suas leg¡timas aspira‡äes.

Conseguimos chegar a sentimentos especiais, nesta
manifesta‡Æo que repete, modestamente, o b¡blico J¢ e o mahatma indiano,
Mohandas Ghandi: com paciˆncia, serenidade, certos do que queremos,
continuaremos lutando.

O que nÆo conquistarmos hoje, conquistaremos amanhÆ, porque a
chama do direito e da luta permanecer  acesa, sem que tenhamos que abandonar de
forma escusa o lado do servi‡o p£blico do Estado e dos bons servi‡os … sociedade
brasileira. (os trechos em it lico foram extra¡dos de VEJA, edi‡Æo 1819, nas
bancas)

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