Edição 0 - 24/07/2003

De rotos e esfarrapados

E para vocˆ confirmar que h  governos e governos, trechos de
um texto pequeno, mas excelente, do jornalista Milton Temer, do JB, em 23.7.03,
sobre o livro "Os bestializados", do historiador Jos‚ Murilo de Carvalho (a
¡ntegra do texto est  no Portal, link PCS/REFORMA):

De rotos e esfarrapados

( …) Ele chama aten‡Æo para um perigo iminente, gerado
pelas prioridades do governo Luiz In cio Lula da Silva, principalmente com a
proposta da reforma da Previdˆncia: ”Lula recorre ao apoio do povo numa
linha quase populista que estimula uma cisÆo. Joga o povo, a maioria
desorganizada, contra os funcion rios p£blicos, uma das minorias organizadas
.
No limite, a exacerba‡Æo populista pode ter um custo alto para a
governabilidade”, avalia. (…)

Mas posso ir al‚m do que Jos‚ Murilo explicitou, e extrair
uma ila‡Æo. Com tal t tica, Lula se escafede do desafio essencial, que
estamos vendo – perplexos – ser corajosamente enfrentado pelo surpreendente
Nestor Kirchner, na Argentina
. (…)

Nosso problema essencial nÆo est  na discussÆo sobre a
Previdˆncia
, a partir de um d‚ficit que ningu‚m realmente comprova. Est ,
sim, na necessidade imediata de rever as rela‡äes de inaceit vel submissÆo que
mantemos com supostos credores, por conta de juros e servi‡os de uma d¡vida
p£blica nunca auditada
. Empenhar esfor‡os para renegoci -la no interesse
do Tesouro nÆo ‚ romper acordos.  cumprir com a obriga‡Æo m¡nima de quem venceu
uma elei‡Æo para superar uma heran‡a corretamente definida como maldita. Para
romper com um modelo, ao qual d  continuidade.
(…)

Esse ‚ o verdadeiro combate que, dado, nos afirmaria no plano
internacional
. Sem salamaleques, mas com firmeza de argumenta‡Æo. 
s¢ isso que a intelectualidade da universidade e da pesquisa, hoje
transformada em segmento privilegiado que rouba sobrevivˆncia dos cortadores de
cana, exige. Porque por isso se bateu, junto com o PT e com Lula, por mais de 20
anos.

Que os atuais ocupantes do Pal cio do Planalto atentem
enquanto ‚ tempo
. Se esperam contar com a fidelidade dos novos parceiros,
obtida com o sacrif¡cio dos bestializados compagnons de route, aten‡Æo.
Podem terminar renegados por um, sem a cobertura protetora do outro
.
(grifos nossos)

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