Sinal responde a editorial
Na sexta-feira, 10.9.2010, o jornal Zero Hora (acesso exclusivo para assinantes), de Porto Alegre, divulgou um editorial em que o funcionalismo do BC é destaque: segundo o periódico, "no caso do Banco Central, a correção real alcançou nada menos que 62,77%".
O texto critica o "legado" que o atual governo está deixando para o próximo, na forma de "… uma elite de servidores mais numerosa e melhor remunerada…", aconselhando o acompanhamento do assunto "… com atenção, pelos contribuintes em geral (….) pois são os que, afinal, arcam com a conta".
Todos no BC sabemos a via crucis salarial enfrentada nos últimos anos, e o quanto nos custou chegar à recomposição salarial iniciada em 2008, em "suaves prestações".
Por muito tempo fomos considerados a "elite", os "marajás" do serviço público. Efetivamente, representávamos, isso sim, "por fora, a bela viola; por dentro, o pão bolorento".
Mesmo hoje, com o quadro do BC mais valorizado, outras categorias de servidores públicos se encontram em patamares salariais superiores aos auferidos pelo funcionalismo da Casa, sem razão aparente.
O Sinal continuará na sua luta – esse é seu objetivo precípuo – pela valorização dos quadros do BC, e não vê justificativa na crítica do editorial, que leva ao público informações de superfície, ignorando os fatos e as razões profundas da atual recomposição salarial.
Enviamos aos editores do periódico, na defesa do funcionalismo da Casa, a correspondência cujo inteiro teor segue abaixo.
Senhor Editor,
A propósito do editorial "Efeito Explosivo", da edição do dia 10.9.2010 desse jornal, o Sinal – Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central vem fornecer os esclarecimentos seguintes:
- a contratação e a valorização salarial dos últimos anos, mormente após 2002, deu-se em função do claro sucateamento da máquina pública – a dita "busca do Estado mínimo" -, vindo dos anos anteriores;
- os servidores do BC, como os do serviço público em geral, receberam aumento real após 2002; há que se considerar, no entanto, que aquele ano marca o fundo do poço do funcionalismo em termos salariais, o que explica os índices aplicados desde então;
- no Banco Central, é importante ressaltar, a esse respeito, que entre 2002 e 2008 (última recomposição salarial implementada), a maioria dos colegas ficava alguns anos no BC e prestava concurso para outros órgãos públicos com remuneração superior;
- estabilidade não é uma "vantagem", mas a forma legal de proteção que o Estado garante ao servidor para que ele atue no interesse público, em face de pressões políticas e econômicas eventualmente demandadas por lobbies privados;
- a última reforma da previdência impôs novos e rígidos requisitos para a aposentadoria, a qual, a propósito, o servidor público custeia durante todo o seu tempo de serviço descontando 11% do seu salário bruto;
- a valorização do quadro do BC tem como contrapartida a prestação de um excelente serviço a toda a sociedade brasileira. Ainda que alguns questionem o excesso de conservadorismo na fixação da taxa Selic e o Sinal critique algumas políticas adotadas pelo BC, sobretudo na defesa do consumidor, a atuação do Banco na manutenção do poder de compra da moeda, na supervisão bancária e na condução do impacto da crise mundial na economia brasileira tem sido exemplar. O BC do Brasil é respeitado em todo o mundo e tem assento nas principais instâncias decisórias que envolvem bancos centrais. Em suma: somos referência global na nossa área de atuação.
Solicitamos à editoria desse prestigioso jornal de Porto Alegre que divulgue os esclarecimentos citados, ao tempo em que nos colocamos à disposição para maiores informações sobre os temas abordados.

