Edição 133 - 06/10/2010

Nota falsa em terminal de atendimento

Deu no Bom dia, Brasil de hoje: clientes retiram em Sergipe, nos terminais de atendimento dos bancos em que têm suas contas, NOTAS FALSAS.
 
E saem “distribuindo” por aí, natural e inocentemente. Pagando passagem, jornaleiro, supermercado, contas diversas.
 
Não é a primeira vez e, pelo andar da carruagem, não será a última. Como chamamos a atenção, em novembro de 2009, na edição nº 29 da Revista Por Sinal, muitos brasileiros estão correndo o risco de estar com dinheiro falso em seus bolsos e carteiras.
 
E, se tiverem a mesma falta de sorte da advogada citada na reportagem, ainda ficarão sob suspeita de serem os próprios falsários.
 
A estabilidade da moeda e o não acesso aos bancos, por parte da população mais pobre, explicam o aumento do dinheiro vivo em circulação.
 
Por outro lado, desde 2005 o saneamento do dinheiro falso não é feito como deveria. 
 
Naquele ano, o Banco Central fez convênio com o Banco do Brasil, para que este último custodiasse os depósitos bancários nas dez capitais onde o BC tem sedes – o dinheiro que nelas circula representa 40% da circulação de toda a moeda nacional.
 
Até então, o Meio Circulante do BC fazia o serviço de graça. A atividade foi terceirizada, e o BB passou a cobrar dos bancos privados 0,15% do valor depositado.
 
Para fugir a essa taxa, e aproveitando-se da fragilidade dos regulamentos, que não os obrigam a submeter todo o dinheiro à custódia, os bancos acharam um “jeitinho”: submetem apenas uma parte do dinheiro de seus caixas ao BB.
 
A maior parte, porém, “dorme” nos caminhões-fortes das empresas de transporte de valores. É simples: o dinheiro de um caixa sai num caminhão, que fica estacionado na empresa durante a noite, e no dia seguinte segue para abastecer outro caixa.
 
Como as transportadoras de valores não estão sujeitas à jurisdição do BC, e sim à da Polícia Federal, não são obrigadas a sanear o dinheiro que circula.
 
Dessa forma, notas rasgadas, antigas ou falsificadas – que até 2005 passavam pelo exame criterioso do Meio Circulante do BC – ficam “rodando” sem qualquer vigilância. Só chegam ao Banco Central quando já estão muito velhas, dilaceradas, porquanto o serviço de destruição das cédulas permanece exclusividade do Órgão.
 
Enquanto circulam, porém, podem cair nas mãos de qualquer um de nós, cidadãos brasileiros acima de qualquer suspeita de falsificação de dinheiro, e provocar, senão uma reviravolta, pelo menos um grande aborrecimento em nossa vida.
 
O fato é que, de um lado, os bancos se previnem, exercendo vigilância quanto ao depósito de dinheiro falso nos balcões de caixa, e ao mesmo tempo se esquivam de ressarcir o cliente, quando este retira, nos terminais eletrônicos, notas falsificadas.
 
De outro, a regulamentação para saneamento do meio circulante é frouxa, deixando brechas para que o “jeitinho” atue, e nenhum dos órgãos envolvidos tem a autoridade absoluta quanto à limpeza do dinheiro.
 
Até que essas regras – algum dia – sejam redefinidas, quantos brasileiros terão sido constrangidos ao serem inocentemente apanhados com dinheiro falso, seja nos bancos ou fazendo algum pagamento?
 
Mais uma vez, quem “paga o pato” é a sociedade brasileira.

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