Governo endurece e tenta dividir movimento de servidores
Planalto manda endurecer relação com direções sindicais
Sem rumo ou determinação política diante do agravamento das relações com a quase totalidade dos servidores públicos – 29 setores estão em greve – a presidente da República, Dilma Rousseff, decidiu relembrar a fama de durona dos tempos em que era gerente do governo Lula e opta pela utilização de medidas autoritárias e divisionistas.
Ao mesmo tempo em que a ordem presidencial é a de encarregar os ministros a dialogar com os servidores de suas pastas, o Planalto divulga via mídia que não atenderá as reivindicações.
Ontem, 19, sem a presença do secretário de Relações do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), Sergio Mendonça, a reunião de dirigentes da CUT com o governo foi realizada com o secretário geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.
Quase no mesmo momento, Dilma anunciava novo pacote de mobilidade, com bilhões de reais de “investimentos” a serem liberados a partir do ano que vem. Enquanto servidores que acampam em Brasília bloqueavam a entrada do Ministério do Planejamento, a cerimônia proibia a cobertura jornalística do evento. As TVs receberam apenas alguns segundos de imagem do discurso da Presidente.
Preocupado com a possível queda de sua popularidade durante a campanha das eleições municipais, o governo da presidente oriunda do movimento estudantil e da luta armada contra o regime militar, opta por gestos repressivos e autoritários.
Negociações iniciadas em 2010 foram esquecidas
Estudos comprovam que, considerando todas as reposições salariais dos servidores do BC, desde 1994, período de estabilização da moeda, as perdas salariais chegam a 19%, ou, se considerada a recomposição salarial após 2008, a quase 23%.
Em 2010, no final do governo Lula, iniciamos a negociação para acerto das distorções das carreiras e discussão da regulamentação do artigo 151 da OIT. Quase três anos depois, nada avançou.
Ministra distorce a realidade e diz que governo aumenta salários
Escalada para tentar jogar a opinião pública contra o servidor, após a marcha de várias categorias em Brasília na quarta-feira, 18, a ministra do Planejamento, Míriam Belchior, afirmou à TV Globo que a reivindicação de reajuste salarial por parte das direções sindicais de servidores no Brasil causa “espanto”. Segundo ela, por conta da crise internacional os servidores europeus recebem cortes em seus salários, enquanto no Brasil o governo dá aumento.
Não é verdade. Sequer o plano de carreira apresentado na semana passado aos professores significa melhoria salarial, dizem os dirigentes sindicais da categoria.
O que causa espanto é uma ministra do Planejamento, órgão responsável pela relação com o funcionalismo e que centraliza a folha de pagamentos públicos, desvalorizar – e de maneira irônica – os responsáveis pelo atendimento à cidadania.
Ao invés de prestigiar os serviços públicos, o governo, que não chega a gastar 40% com pessoal (o normal seria pelo menos 50%), além de contrariar o preceito constitucional, tenta induzir a sociedade a acreditar que o país entraria em colapso ao atender a demanda de seus servidores.
Espanto e colapso, Ministra, são ocasionados principalmente pelo descompromisso do governo em contratar empresas que não cumprem contratos e desviam o dinheiro que deveria ser destinado à melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.
Se o governo quer jogar duro, jogaremos também!
Pelos nossos direitos e pelo direito do cidadão a um serviço público de qualidade!


