Edição 104 - 09/08/2012

Unidade das carreiras típicas de estado surpreende governo. Greve no BC preocupa investidores, diz o Financial Times

Paralisação no BC chega a 90% em nove seções estaduais. Em Brasília, a adesão alcançou 70%.

Unidade das carreiras típicas de Estado surpreendeu governo, que, por meio do MPOG, chamou entidades sindicais sem apresentar nada de concreto, para reunião no início da noite de ontem.

Medidas de caráter autoritário, como a de cortar o ponto de servidores, provocam queda de servidor em cargo de chefia do MPOG.

Após o decreto anti-greve (7.777), vem aí projeto de quase R$10 bi para proteger “patrimônio” de grevistas e manifestações sociais (veja artigo publicado hoje na Folha de S.Paulo).

Faixa no BC São Paulo

“O governo andou brincando com isso e agora a coisa está fora de controle”, comentou na noite de ontem, 8, uma das mais experientes jornalistas políticas do país, Eliane Cantanhede, no programa Em Pauta, da GloboNews, referindo-se à greve unificada e às manifestações dos servidores das carreiras típicas de Estado na Capital e por todo o Brasil.

“Agora é tarde, Inês é morta”, continuou a jornalista, cobrando também a própria imprensa pelo descaso com que tratou ou “cobriu” – ou vem cobrindo – o processo de negociação salarial governo-servidores públicos. Vale lembrar que sequer o ex-dirigente sindical, José Lopes Feijoó, hoje assessor especial do secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, acreditava, há poucas semanas, que a “elite” do funcionalismo federal pudesse lutar conjuntamente por direitos constitucionais à reposição salarial e à reestruturação das carreiras.

A paralisação de ontem no Banco Central, de 90% dos servidores em suas nove seções nas capitais e de quase 70% na sede em Brasília, alertou os investidores internacionais, como reportou o Financial Times. Vale destacar que a nossa greve pode, ainda, comprometer a imagem do Brasil no Exterior como país não cumpridor de suas obrigações financeiras.

O Meio Circulante (Mecir) parou suas atividades logo pela manhã. As remessas de numerários foram suspensas. A mesa do Demab funcionou precariamente, em regime de contingência, com apenas três funcionários.

A possível greve por tempo indeterminado a partir do dia 20 de agosto deveria, neste momento, ser prioridade do presidente Alexandre Tombini. Até o momento, não recebemos qualquer informação sobre qualquer ação do ministro-presidente do BC em defesa dos servidores daquele que é, reconhecidamente, um dos bancos centrais mais respeitados do mundo.

O BC, a Receita Federal e a valorização de seus servidores

É sempre bom lembrar que a diferença de aproximadamente 5% entre os nossos salários e os dos colegas da Receita – que tanto fere a nossa dignidade – pode ser justificada pela postura dos integrantes daquela categoria, já que, dirigentes e gerentes defendem os interesses dos seus servidores, exatamente o oposto do que ocorre em nosso Banco Central.

O Depes reage determinando FALTA, enquanto corte de ponto causa protesto e pedido de demissão de chefia… no MPOG

Observe-se que, em relação ao movimento de ontem, enquanto a Diretoria do Banco Central é extremamente ágil para cumprir as determinações do Ministério do Planejamento e registrar FALTA para quem participou da greve, vemos sua morosidade e, até indiferença ou negligência, quando se trata de defender os interesses do seu corpo funcional.

Atitudes de retaliação são tomadas com impressionante rapidez e não vemos essa agilidade quando é necessária sua intervenção para apoiar nossa luta junto ao Planalto.

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