Edição 108 - 15/08/2012

O que pretende a presidente Dilma?

“Todos favorecei em seus ofícios,

segundo têm das vidas o talento…”

(Luís de Camões)

A Esplanada dos Ministérios tende a ser ocupada hoje, 15, e nos próximos dias como nunca antes na história da cinquentona Capital. Em um ano e meio de gestão, Dilma Rousseff mostra a que veio, mas não explica o que quer.

Também hoje, em meio a uma série de movimentos paredistas, o governo anuncia um pacote de privatizações – rodovias, aeroportos, portos e ferrovias sequer construídas – como anunciou a revista Veja desta semana, que, prontamente “hipotecou” em editorial o projeto-empresa da presidente.

Tudo isso com a imprensa afirmando que as greves já afetam as obras do PAC. Quais? As interrompidas por desvios de recursos ou as embargadas (como a de Belo Monte) por conta do governo não cumprir as etapas exigidas pelos próprios institutos governamentais?

Sobre as negociações com os servidores, como em várias áreas, a cada dia sai um novo discurso, todos antidemocráticos e desconhecedores das necessidades do Estado.

O anúncio de ontem, 14, por exemplo, afirmava que o governo iria negociar “reajustes” para os que ganham menos. Pois as primeiras reuniões realizadas com representantes sindicais das universidades federais e servidores do Incra não resultaram em nada. Ao contrário, a do Incra terminou em confronto, com o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento feito refém. A terceira, com a Fasubra, foi desmarcada.

Um ou outro jornalista lembra que já são quase dois anos de conversas servidores-governo sem propostas. Em meio a esse monólogo, pretende o governo mostrar dureza com o “sindicalismo”, sempre tratado pela “elite” como causador de problemas. A crítica vale para os setores públicos ou privados. Na verdade, desde a colonização, trabalhadores, ao lutarem por direitos e liberdades, sempre enfrentaram em nosso país hostilizações de setores privilegiados, leia-se empresários e governos.

Vários jornais repetem quase diariamente que, no período Lula, o governo deu aumentos estratosféricos aos servidores, sem informar, por exemplo, que o funcionalismo permaneceu anos sem reajustes salariais. Tal como agora, com perdas acumuladas desde 2008 em mais de 20% para a maioria das categorias do serviço público.

Decreto Fura-Greve, ações na Justiça contra o direito constitucional de paralisação, privatização do gerenciamento do Estado, falta de diálogo, discursos autoritários como o de ontem com os boxeadores medalhistas das Olímpiadas de Londres – “vou boxear o que impede o crescimento do país” não passam de BRAVATAS com o objetivo de desviar o foco do perigo que se avizinha: o governo está sem rumo. E, nessa nau, provoca os que cuidam da educação e, também, os que garantem de fato a estabilidade econômica e de gestão do Estado.

Pelos 23% Já!

Em defesa dos servidores e do ESTADO BRASILEIRO!

Edições Anteriores RSS
Matéria anteriorDeu na mídia
Matéria seguinteAGN do dia 20