A ESPERA DE UM PRESIDENTE

    Com toda a inveja do mundo acompanhei atento todo o processo da eleição do Barak Obama nos EUA. Isso porque sempre sonhei em ser governado por um PRESIDENTE DA REPÚBLICA, do tipo retratado nos filmes americanos como uma instituição nacional que, onde quer que apareça pessoalmente, ninguém ouse sequer respirar. Só que, no Brasil, está difícil de realizar esse desejo.Os primeiros presidentes de quem ouvi falar foram o Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart. Mas, como ainda era criança, não tive consciência da volúpia desenvolmentista de Juscelino, não prestei atenção nas esquisitices do Jânio e no período João Goulart, sua linda esposa, Tereza, causava tanta inveja que era muito mais falada do que ele próprio.Vieram, então, os generais de plantão que permaneceram no poder por 20 anos. Castelo Branco era tão sisudo que escondia até o pescoço. Do período Costa e Silva, as notícias que corriam eram sobre o deslumbramento da sua esposa, Yolanda, com o poder. Do Garrastazu Médici, fomos “brindados” com violentos atos institucionais e aparições tão popularescas quanto carrancudas em jogos de futebol. Calado e de óculos escuros, Ernesto Geisel na presidência, se ocupou mais da Petrobrás do que do país. Finalmente, João Figueiredo, que somente no final do governo teve uma atitude que marcou história: pediu que o esquecessem.Para o período pós “abertura”, a esperança ficou repousada na eleição indireta de Tancredo Neves para presidente, que ganhou, mas morreu antes da posse. Foi substituído por José Sarney que, com o objetivo de colocar o “boi na sombra” para escrever seus livros, trocou o PDS, de Maluf, para ser vice de Tancredo, no PMDB. “Tocou” o exercício do cargo da mesma forma como chegou à presidência: como mero acaso.Na 1a. eleição direta após o golpe militar, Fernando Collor teve tudo para ser um PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Mas, megalômano, arrogante, metido a bonito e a desportista “sarado”, passou a se exibir de gel no cabelo e pilotando jet-ski. Com a intenção de eternizar-se no poder, enfiou os pés pelas mãos e foi deposto em 1992.  A presidência, então, caiu no colo do Itamar Franco que, desprovido de carisma e de idéias, posou de namorador romântico, daqueles de ir ao cinema nas tardes de domingo de mãos dadas com a ajudante de ordens. Itamar ocupou o cargo sem exercê-lo.Fernando Henrique Cardoso possuía as qualidades para se tornar um PRESIDENTE DA REPÚBLICA: experiência política, credibilidade, cultura e prestígio internacional. Mas, além de viajante inveterado, cismou que era Deus, e nessa condição, de vez em quando vinha ao Brasil para pairar sobre os mortais. Estamos na era Lula que se cercou de “mui amigos” e “aloprados”.  Parece que se livrou de alguns deles, contudo, nuca perde a oportunidade de exagerar que “nunca neste país…” A eleição de 2012 prevê, entre outros, Serra, Aécio, Dilma e Ciro Gomes. Pelo jeito o sonho de ser governado por um PRESIDENTE DA REPÚBLICA, vai ficar adiado para 2016.