A FOTOGRAFIA

            Deu em todos os jornais que a equipe médica que trabalha em um lar para idosos chamado Steere House, nos EUA, tem recebido ajuda extra em alguns de seus prognósticos. O auxiliar dos médicos é o Oscar, um gato cujo “trabalho” é um tanto mórbido, embora útil: ele identifica os internos que estão prestes a morrer. O gato, que anda livre pela instituição, costuma deitar-se ao lado da cama dos que estão para “bater as botas”, como se dizia antigamente.        Os prognósticos do Oscar dificilmente podem ser considerados fruto do acaso: o que se conta é que o felino detectou a morte iminente de 25 pessoas.        De acordo com um diretor de um centro de comportamento animal da Universidade Tufs, Nicholas Dodman, ninguém é capaz de afirmar se o “trabalho” do gato tem alguma causa científica ou não. O único modo de obter essa resposta é estudar detidamente o comportamento de Oscar quando ele está perto das pessoas saudáveis e quanto está junto aos moribundos.        A atitude do gato pode se basear apenas numa busca de conforto para si – os pacientes em estado terminal podem, por exemplo, ser coberto com um certo tipo de cobertor que agrada ao gato, explicou Dodman.          Bom, nem de longe eu imagino qual é a tática premonitória usada pelo gato. Apesar do que, saber quem está moribundo não deve ser tão difícil assim.  Mas, para um gato, realmente é um fenômeno. Para nós brasileiros, a notícia não pode ser tão estranha assim, afinal a TV já mostrou que no nordeste há um cachorro que acompanha todos os velórios da cidade. Só acho que esse negócio de morte, com raras exceções, é um tanto cíclico.  Quando minha mãe faleceu, eu tinha somente um ano de banco e foi uma consternação no setor, porque ela era considerada nova demais. Já quando da passagem do meu pai, anos depois, houve quem me dissesse que dali para frente seria a hora de ficarmos sabendo muito dessas notícias, previsão que se mostrou absolutamente verdadeira.        A tese vai ao encontro do ocorrido com um tio que freqüentava todo e qualquer enterro, conhecendo ou não a pessoa. De repente ele se deu conta que começara a freqüentar o funeral de muitos que faziam parte de uma fotografia pendurada bem no centro da parede da sala, onde se perfilava a sua turma do destacamento do exército lá de Friburgo.  Quando restavam apenas uns cincos “sobreviventes” na foto, não teve conversa, tocou fogo no retrato e, mais aliviado, continuou não faltando a nenhum funeral.        Agora, tendo muito a ver com a lembrança do meu tio e quase nada a ver com a notícia sobre gato, estou com um “problemão”: não sei o que faço com uma foto que recebi por e-mail da minha turma de ginásio, a qual já havia mandado revelar, ampliar e colocar numa moldura caríssima para que ganhasse lugar de destaque na minha casa.  Antes de pendurar o quadro, foi preciso identificar quem eram todos os trinta e seis alunos que estavam na pose para fazer uma legenda. E aí, para a minha surpresa, descobri que já morreram três…    

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