CHI, CHI, CHI, LE, LE, LE. VIVA CHILE!

    Para ficar livrar dessa chatice que é a eleição presidencial em dois turnos, tenho evitado assistir aos noticiários, ouvir rádio ou ler jornais. Mas, varei a madrugada em frente da TV torcendo pelo resgate dos 33 mineiros chilenos (uma maldade: se fossem argentinos iria dormir). Um único acontecimento com todos os ingredientes que se possa imaginar.   Vibrei, como se fosse chileno quando vi que, tanto em Copiacó, capital do Atacama, deserto onde ficava a mina de São José, quanto em Santiago, capital chilena, telões permitiram que a população acompanhasse o resgate e cantasse junto: “Chi, chi, chi, Le, le, le. Viva Chile.”Ri muito do mineiro que convidou a esposa e a amante para assistir o resgate. Como a esposa não foi a amante ganhou todos os beijos e afagos. Dizem que ele, quando estava na mina, fez uma declaração deixando os seus bens para a amante. Mas, isso é outra história.É incrível como o futebol está presente em todas as horas: de acordo com parentes, a maior discussão havida no interior da mina foi quando dois mineiros souberam que ganhariam duas camisas do time do Barcelona da Espanha, autografadas pelo jogador David Villa.O presidente chileno Sebastian Piñera foi criticado por ter “explorado” o resgate, ao permanecer no Acampamento Esperança. É aquela coisa, se foi até lá, foi por demagogia. Se não tivesse ido, seria insensibilidade. Mas, mesmo com a presença do presidente, quem faturou a popularidade foi o então desconhecido ministro da Mineração, Laurence Golborne. Aquele que – estrategicamente – aparecia sempre sorrindo, lá no fundo, a cada resgate.É claro que mesmo que o fato tenha ocorrido lá no Chile, eu teria que me lembrar de algum episódio paralelo lá de Friburgo. E o que me veio à mente foi um resgate aéreo. Uma noite um monomotor ficou sobrevoando a cidade à procura de um lugar para pousar. Num terreno onde havia três campos de futebol, centenas de carros, lado a lado, fizeram um retângulo de faróis acesos, indicando o local onde o avião pudesse aterrissar e o pouso foi um sucesso.  O piloto, ao pisar no solo, foi levado para um hospital, onde permaneceu alguns dias internado. Só que, até chegar ao destino, teve que ser protegido pela polícia contra uma multidão, já que “todo mundo”, queria cumprimentá-lo, vê-lo ou tocá-lo. Durante sua estada na cidade o assunto foi o pouso forçado do monomotor. Surgiram várias versões, todas sem valor histórico. O importante para o “povão” era que o piloto estava são e salvo e a cidade, finalmente, mesmo que por pouco tempo, tinha um herói para reverenciar.