DICIONÁRIO DE INGLÊS

               Li que o menino Michael Helms, cujo vídeo virou sensação na internet em 2008 por ter ficado com raiva ao descobrir que em vez de brinquedos havia recebido livros de presente no Natal, voltou a deixar sua mãe constrangida durante uma entrevista à emissora de TV “NBC”. No programa, “Today Show”, Michael fez caretas inusitadas enquanto sua genitora, Antoinette, tentava insistir que ele era uma criança disciplinada.             Na minha pré-adolescência o Natal estava se aproximando e eu não conseguia definir o presente que queria. Até que um dia, sem nenhuma razão aparente, já que no antigo ginásio do meu colégio a língua estrangeira era o francês, respondi apressadamente, e para me livrar da responsabilidade, que queria de presente, um dicionário de inglês.Na noite de Natal, esquecido do pedido, fui ver, com interesse incomum, o que havia dentro do embrulho colorido de uns 15 x 20 cm, etiquetado com o meu nome, colocado ao pé da árvore de Natal de galho natural de pinheiro. Não tive uma reação digna do Michael Helms, todavia, tanto o meu Natal quanto o dos meus pais acabou ali. A minha aposta era a de que o meu pai ignoraria o dicionário de inglês e compraria um presente condizente com a cabeça de um pré-adolescente, que, pelo menos, naquela época, abominava ganhar livros  de presente natalino. Os escolares, então, nem pensar.Depois de adulto, quando ainda participava dos “amigos-ocultos”, ao contrário dos meus desejos de adolescente, sempre gostei de ganhar um livro de presente. Não gostava de especificá-lo porque julgava que o meu “amigo” deveria me ofertar aquele que julgasse que eu devesse ler.

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