FETICHE

              Outro dia, em um desses portais de notícias da Internet, houve um pleito sobre a parte do corpo que os homens mais apreciavam nas mulheres e vice-versa. Pelo lado masculino, os campeões de audiência foram o bumbum e os seios. Também foram bem votados, cabelo, coxas, pés e mãos. O time feminino preferiu, por maioria absoluta, o traseiro masculino. O restante dos votos das mulheres, foram divididos, com equilíbrio, entre mãos, olhos, peito e coxas.          “Sufraguei” meu voto, com o comentário que minha preferência não era por qualquer boca não. Era pela boca daquelas mulheres que possuíam um pequeno defeito no canto dos lábios, só perceptível aos “experts”. Não devo ter feito sucesso, pois a minha prioridade deu “traço”, como diz a linguagem das pesquisas, ou seja, não chegou a 1%.            Na adolescência, nas rodas de conversa dos meninos, quando o assunto era eleição da mulher dos sonhos, minha preferência, invariavelmente, recaía na Sofia Loren. Justificava afirmando que não era por causa dos seus volumosos seios, mas, sim, pelos seus incomparáveis e grossos lábios. No entanto, alguma coisa me dizia que não era bem aquilo. Faltava alguma coisa.          Em 1986, constatei que era um estranho no ninho dos homens, por não cair fulminado de paixão, aos pés da Maitê Proença que, interpretando a Dona Beja, na TV, tomava banho nua na cachoeira. O meu deslumbramento era para a presença da Nina de Pádua. Custei para detectar a causa. Somente quando a vi sorrindo e percebi que o canto direito do seu lábio inferior era mais acentuado do que o esquerdo foi que, finalmente, soube, qual era o meu fetiche.           A ratificação dessa estranha preferência aconteceu em 1988: assisti uma dez vezes a um filme de segunda, “Perigo na Noite”, só para apreciar a Mimi Rogers, uma atriz não tão famosa assim, mas, linda, elegante e que possuía a charmosa incorreção nos lábios que tanto aprecio. Recentemente, a vi, num filme posando para um nu. Está com 51 anos. Corpinho e lábios de 17.        Com Nina de Pádua e Mimi Rogers balzaquianas, iniciei uma pesarosa renovação das musas portadoras do meu fetiche. Em 1995, descobri Alessandra Negrini na minissérie “Engraçadinha”. Disseram que apareceu nua. Nem reparei. Seu lábio direito inferior caído me hipnotizava. A atual presença da atriz na novela das oito tem me causado problema: como fico assistindo futebol e filmes em outro cômodo da casa, sempre que ouço sua voz mudo de canal. Quando retorno, o Vasco já está perdendo… O crime foi descoberto…         Não havia reparado na Camila Morgado até assisti-la em “Olga”. Mas, nunca me empolgou porque, até hoje, não sei se nela a incorreção é natural ou foi apenas uma exigência do papel.          A última “revelação” de uma portadora do meu fetiche é bandeirinha de futebol: Ana Paula Oliveira. Custei a descobri-la. Acho que o aparelho de correção ortodôntica que usava, atrapalhava a visibilidade. Ela só passou a ter grande destaque por ter sido acusada de prejudicar o Botafogo em duas interpretações e pelo quase simultâneo anúncio de que iria posar nua para a Playboy. Vi as fotos. ! Estou impressionado!  Que par de lábios!