GERADOR DE NOME DE POBRE

    O Veríssimo escreveu que o que mais admira na Catherine Zeta-Jones é o hífen.  Disse que nada dá mais classe a um nome do que um hífen bem colocado. E que se contentaria com Luis-Fernando. Contudo, o que mudaria mesmo a sua vida seria um sobrenome hifenizado, tipo Dstaigne-Plouchard, que lhe asseguraria deferências inéditas, a começar pelo xequim nos hotéis. Afirmou ainda que “a um hífen não se pede credenciais, caução, depósito e avalista”. É a própria referência. E mais: num hipotético encontro com Catherine Zeta-Jones, teria o que conversar. Ela lhe falaria do seu hífen e ele do seu. Disse ainda que não há nomes com hífens em português. É coisa de inglês. Em francês, mais em primeiros nomes: Jean-Paul. Por aqui, sem glamour, temos os apóstrofos, como Sant’Ana. Já até havia esquecido dessas bobagens, quando recebi uma mensagem recomendando uma visita ao site da “Morróida” que, entre outras abobrinhas, possui um gerador de nome de pobre. A apresentação do portal diz que já devemos ter percebido que pobre e pseudo-intelectuais da Rede Globo, amam nomear seus filhos com os mais estranhos nomes do universo, não importando o quão grotesca seja a combinação das letras do alfabeto. A regra é que o nome contenha no mínimo “uma dezena” de Y, W, H e K. Combinações com dois “L” também são bem vindas. A seguir, disponibiliza uma ferramenta que gera um nome para você, “personalíssimo”. Um dos parâmetros é responder se o nome é para pobre, pouco pobre ou muito pobre. Fiz o teste e ganhei o nome de Wandercleydson Pablo.  O “Morróida” está com toda razão! Artista e pobre adoram colocar nomes esdrúxulos em seus filhos. Aisha, Cauê, Enzo, Luan, Marjorie, Niágara, Sacha, Thor, são alguns exemplos de filhos de “famosos”. Contudo, depois vem o troco: Riroca, filha de Baby Consuelo, inconformada em ouvir a troca da consoante inicial “Ri” por “Pi”, foi ao juiz, misturou judaísmo com hinduismo e virou… Sarah Sheeva!  Do lado dos pobres de bolso, a inspiração vem da TV, especialmente quando a novela das oito exibe histórias passadas em famílias ricas. Mas, ricas de berço esplêndido! Quatrocentonas! Daquelas de donos de bancos, que moram em mansões na Gávea ou no Morumbi. Os nomes dos filhos dessa gente, na vida real e na novela, são sempre nobres: Alexandre, Antonia, Joaquim, Maria Eduarda, Valentina, Ricardo. Aí, a periferia corre atrás e adota os nomes. Só que, passa um tempinho do nascimento, e não dá outra: são apelidadas de Toninha, Quinzinho, Duda, Vavá. Alexandre varia para Alexander, Alessandro e Alexsandro e Ricardo possui variantes em Richardyson e Richarlysson. Tem um que foi batizado de  Pir. Pronúncia: PI-ERRE. Mas, voltando a “vaca fria”, você já viu filho de rico (rico, rico!) chamado Keyla?Josiwagner? Karolayne? Letchycia? Willy? Cidcley? Hunyara? Edyelson? LadyMar? Glaucynara? Claro que não!  “É tudo” nome de pobre!Jogador de futebol não fica atrás. Hoje em dia, quase todos se chamam Thyago, Fábio, Diego, Alex e Leonardo. São diferenciados pelo sobrenome. Em “tempos idos”, existiu um jogador da Portuguesa de Desportos, que adotou o apelido de “Capitão”. Pensava-se que fosse para esconder o seu nome de batismo: Óliude. Grande engano! Isso porque, registrou o seu filho como Óliude Júnior! Para terminar, lembro do Odvan, vigoroso futebolista ainda em atividade. Dizem as “más línguas”, que a origem do seu nome foi inspirada em uma música do Roberto Carlos: “O divã”. Eu acredito piamente.