KATE MEDDLETON

            Como só se fala do casamento real, não sou eu quem vai mudar de assunto. Afinal, cerimônia atraiu uma audiência global de cerca de dois bilhões de pessoas, levou um milhão de turistas a Londres e gerou a bagatela de 300 milhões de fotos.             O matrimônio ganhou uma importância tão grande que até o Carlos Heitor Cony se ocupou do assunto na Folha-SP, registrando o que viu na cerimônia de casamento entre o Príncipe Charles e Lady Di.  O mais interessante foi ter assistido Diana entrar na catedral de São Paulo carregada pelo pai, um tal de lorde Spencer, que exagerara no gim e estava trôpego. Não foi ele que levou a filha ao altar: ela é que o levou até lá.           Em relação ao evento, quase tudo já foi noticiado. Só lamento que um detalhe gastronômico que massagearia o ego nacional não ganhou o destaque que merecia na mídia. É que, presentes no bufe real, os ovos de codorna se vingaram da fama de tira-gosto de botequim "pé-sujo" de subúrbio brasileiro e passarão a ter status de realeza. Os convidados para a recepção puderam curtir um ovinho de codorna, "vestido a rigor".           Mas, de quem a imprensa se ocupa mesmo é da Kate Middleton. Tudo que ela veste vira moda. Tudo que ela fala vira pronunciamento. Tudo que ela come é uma revolucionária dieta. Tudo que ela faz e repete é inédito e exclusivo. O sucesso é tamanho que foi noticiado que ela ultrapassou seu noivo, o presidente americano, Barack Obama, e até mesmo a cantora Lady Gaga na lista das pessoas mais pesquisadas por internautas nos sites de buscas.           Kate Middleton, ao contrário de Diana, desfez o mito de que há que ser virgem para se tornar princesa. Ela vive há dois anos com o príncipe Willian, fato aceito pelos ingleses. Ela é tão especial que as notícias de que abriria mão da carruagem para ir de Rolls Royce para a abadia de Westminster e em vez da coroa usaria flores no cabelo estavam incomodando a realeza. Politicamente correta, ficou em "cima do muro": desfilou de carro e carruagem e usou na cabeça uma tiara presenteada pela avó.           Não sei onde li, mas, concordo que o seu futuro não deve ser desejável para uma mulher inteligente do século 21. Se não quebrar as tradições, Kate terá apenas três tarefas no futuro. Servir ao seu marido, ser bela e gerar filhos. Mas, ela leva jeito de quem vai reger a "banda de forma diferente".                    Volto ao Carlos Heitor Cony para registrar que ele escreveu que participar da cobertura do casamento de Diana e Charles foi um dos maiores "sacos" da sua carreira profissional. "Ali mesmo, roguei pragas, tais e tantas, que o casamento deu no que deu", concluiu.           Como acredito em maldições, principalmente as do Cony, um velho bruxo, fiquei aliviado em saber que o cronista não iria cobrir a cerimônia, o que, em minha opinião, aumenta sobremaneira as chances de que Kate Middleton, ao se casar com Príncipe Willian, viva o primeiro conto de fadas do século 21.

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