NA ESTRADA OU NA CIDADE

    Já escrevi algumas vezes sobre minhas andanças pelas estradas entre o Rio e Cabo Frio e vice-versa. Recentemente lancei-me mais uma vez a essa “aventura”.Na Via Lagos, que alguns chamam de auto-estrada, talvez porque nunca andaram nas da Europa, ocorreram os habituais desrespeitos aos limites de velocidade estabelecidos. É normal eu estar mantendo os 100 km/hora, que é permitido na maioria de sua extensão, e ver passarem por mim verdadeiros bólidos que só não me deixam na poeira porque estamos no asfalto, claro.Alguns julgo estarem a 200 km/hora, ou perto disso. Afinal quando me ultrapassam parece que eu estou parado, tal a velocidade por eles desenvolvida. Mas sei que isto não é privilégio daquela via, até porque o brasileiro tem muito que aprender em matéria de educação, e não seria ao volante de seu veículo que ele respeitaria leis.Mas, desta vez, além das habituais infrações cometidas impunemente, seja na Via Lagos, seja na BR-101, seja na Niterói-Manilha, seja na Ponte Rio-Niterói, presenciei outras e quase fui vitimado pela irresponsabilidade de pelo menos três motoristas, dois homens e uma mulher. Na BR-101 já retornam trechos imensos de asfalto todo rachado, buracos etc. Isto acontece todos os anos. É normal os veículos tomarem  o lado esquerdo da estrada, em melhor estado, até para sua segurança. Assim também eu faço. De repente percebi que um carro vermelho se aproximava rápido do meu, porém pela minha direita. Entendi logo ser daqueles que, ou não aprenderam, ou esqueceram, ou fazem questão de não obedecer à lei que determina seja a ultrapassagem sempre feita pela esquerda. Pensei em voltar para a direita, mas ficou arriscado demais pela proximidade do outro veículo que tinha uma senhora ao volante. Ela deveria ter ido para trás de mim e pedido passagem, mas não o fez. Demonstrava claramente que iria me ultrapasar, porém pela minha direita. Isto é sempre um risco para ambos os motoristas. Logo se aproximaram, em alta velocidade, outros dois carros à minha traseira, ou pela esquerda da estrada. Eu deveria sair de imediato para a direita, como sempre faço, mas aquela motorista estava agora mantendo uma velocidade que nem me ultrapassava e nem me permitia retornar à direita. Fui obrigado a acelerar ainda mais até ter a garantia de que, manobrar para o lado direito, não me poria em risco.Assim fiz e logo fui ultrapassado pelos dois carros em alta velocidade. Foi quando o tal carro vermelho decidiu finalmente ir para a esquerda, acelerar e me ultrapassar também. Respirei aliviado. Logo adiante, porém, a mesma senhora já estava pela faixa da direita fazendo uma ultrapassam irregular e com sérios riscos. Isto, infelizmente, tem sido mais comum do que se pode imaginar.  Após presenciar muitas outras infrações ao código de trânsito, eu estava finalmente  chegando ao Rio. Um pouco antes da subida da ponte Rio-Niterói, à direita, há um ponto de ônibus. Local mal escolhido, por sinal. Havia um veículo parado e atrás dele um ônibus da Companhia 1001. Quando eu já me aproximava deste, o motorista, sem qualquer sinalização, sem se importar com o fato de que não me sobraria quase chão para frear, simplesmente manobrou para a esquerda, colocando aquele paredão à minha frente repentinamente. Ao mesmo tempo em que eu tocava no freio algumas vezes, minimizando a freada, e buzinava, o motorista, irresponsável e sério candidato a criminoso, olhando pelo retrovisor, não se importou com o sério acidente que poderia provocar. Felizmente não vinha nenhum outro carro próximo ao meu, por trás. Consegui parar colado ao ônibus, enquanto este saía calmamente, quase esbarrando no meu pára-choque dianteiro. Pedi à amiga Marlene que anotasse a placa e o número do veículo.Na subida da ponte eu o ultrapassei, buzinei, esperando algum pedido de desculpas do outro motorista, mas ele ficou indiferente. Então, “educadamente” dediquei-lhe, com a mão, algumas “cordiais saudações”… Agora estou aqui contando este caso, mas ele poderia ter sido o causador de um acidente de conseqüências graves. E isto não foi uma exceção em nossos caminhos nessas idas e vindas, podem crer.Atravessamos a ponte, mantendo os 80 km/hora ali exigidos, enquanto uma multidão de motoristas “dava banana” para aquela sinalização, o que também não é novidade alguma. Já no final do viaduto que nos leva da ponte até o início do Aterro do Flamengo, a Perimetral, tomei a esquerda e segui normalmente. Da direita, vindo da Praça Quinze, um ônibus me ignorou e cortou à minha frente sem nenhuma cerimônia. Consegui reduzir a velocidade em tempo de não bater nele. Ufa, mais um…Motoristas profissionais, que, até por isso, deveriam ser mais responsáveis, no entanto boa parte dessa turma não faz jus à classe. Quando já estávamos em Ipanema, no Jardim de Alah, o sinal do cruzamento com a Prudente de Moraes abriu para nós. Preferi ficar parado. Afinal havia um acúmulo de veículos parados à minha frente e, seguir, só iria interromper o trânsito quando o sinal abrisse para a Prudente de novo.Os demais motoristas pensaram diferente de mim e avançaram porque estão acostumados a desrespeitar as leis do trânsito que, segundo alguns dizem cinicamente, foram feitas para “otários”, como eu. Quando o outro sinal ficou verde, ninguém andava. Os “espertos” davam mais uma lição de como não se deve dirigir… Pois é! Na estrada ou na cidade, ainda estamos muito distante de alcançarmos status de povo educado. O pior é que a esmagadora maioria das infrações cometidas, algumas que geram acidentes mortais, não são punidas por inúmeras razões. Enquanto isso os prefeitos instalam os inúteis e irritantes “pardais” por todo lado, eles que já estão mais do que desmoralizados. Haja paciência. Um dia aprenderemos, mas quando?!

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