NEM SEMPRE MEIO É METADE

     Nada como uma discussão estéril no setor de trabalho – daquelas que vão do nada a lugar nenhum – para adicionar aos 90% de transpiração, os 10% de inspiração que sempre faltam para conseguir escrever uma crônica, cujo prazo de entrega está vencendo.Numa dessas oportunidades, surgiu a possibilidade de que o suposto “desmaio” de um micro, possa ter sido provocado pela presença de apenas “meia-força elétrica” no seu “princípio ativo”. Pragmático e pondo um fim à comparação com os remédios genéricos, um dos presentes afirmou que em redes elétricas de computador não existe o “meio”. Foi além: “também inexistem o “ex e o “meio-homossexual”. E subiu o tom: “e muito menos as “meio-virgem!”Como o meu grau de interesse por futilidades do gênero é altíssimo, logo passei a divagar sobre a utilização do termo “meio(a)”, especialmente quando estão ligados a um substantivo. E não encontrei nada que justificasse a utilização da expressão “meio-fio”, demarcando o que é calçada e o que é rua. A definição paulista de “guia” é muito melhor. Também, não entendi a razão porque os medrosos são chamados de “meia-tigela”. Gozado! Há duas definições para classificar os acréscimos ilegais das construções humildes: se for em quintal de subúrbio é “meia-água”. Na zona sul é “puxadinho”, termo que também serve para oficializar a tomada ilegal, mas, sob a benção do insuportável prefeito, das calçadas por bares e restaurantes. “Meia-bomba” pode significar meia-força. “Meio-pau”, não é a figura que está na sua mente e até que define bem um gesto de luto. Mas, e “meia-boca”? É uma fofoca pela metade?”Meio-termo”: só encontro explicação nas palavras de um chefe que tive no BC que, ao exemplificar a disparada na hora da saída, dizia que havia funcionário que, se às 18h29m59s estivesse digitando Francisco, escrevia o “Fran” e deixava o “cisco” para o outro dia. Não sei qual era o tratamento utilizado nas demais localidades para classificar o “troca-troca” sexual de hoje. Mas, lá em Friburgo o relacionamento homossexual era apelidado por um substantivo comum de dois gêneros: “meia” ou "meinha". "Fulano tava fazendo “meia" com Sicrano". Naquela época: abstrato. E o “meio-homossexual”? Será que existe? Concordo que não existe o “ex”. Mas, fico na dúvida de como é formado um casal gay? Não é pela soma de dois “meio-homossexuais”, não?E para encerrar o assunto: li que existe uma “sacoleira” a domicilio, que faz sucesso vendendo produtos eróticos. Um deles é um gel que funciona como compressor vaginal. A mulher diz que usou e funciona. Pronto! Só para contradizer a afirmativa do meu amigo contida no segundo parágrafo aí de cima, foi inaugurado um novo segmento feminino: os das “meio-virgens”.

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