NUNCA HOUVE UM HERÓI COM JOHN WAYNE

    <!– /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Verdana; panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;}div.Section1 {page:Section1;}–>Após a morte do ator norte-americano, Gene Barry, em 2009, oArtur Xexéo contou, no Globo que, em 1961, foi assistir a um show do artista,no Copacabana Palace, encarnando o Bat Masterson, lendário homem da lei doVelho Oeste que usava roupas finas, bengala, chapéu e gravata. Jogador ecavalheiro com as mulheres, Masterson também era um grande pistoleiro e tinhacomo arma secreta uma espingarda disfarçada de bengala. Voltando ao Xexéo: ele foi ao Copacabana, não para ver o BatMasterson, mas para ser sorteado com a bengala que “atirava”. Contudo, enquantoassistia ao show, constatou que de quem ele era fã mesmo era do Murilo Nery, umapresentador de TV – coastro do show – que era o dublador oficial de Barry nosfilmes da TV. Xexéo considerou que aquela voz era a que verdadeiramentepertencia ao Bat Masterson, o herói do faroeste que falava português natelevisão. Aquele outro, vestido a caráter e falando em inglês, eledesconhecia. Como nas minhas fantasias de ser um xerife do faroeste, aimagem que construía para mim era a do Gregory Peck, talvez por causa do seucorpo esbelto, do cabelo negro e brilhante caindo na testa e da sua voz grave,sempre me pergunto por que não o John Wayne?Afinal, nunca houve um herói como John Wayne: com 1,92cm dealtura e quase cem quilos, tinha a leveza de jóquei para cavalgar e possuía umsoco capaz de derrubar um búfalo. Não errava um tiro sequer com aquela suaespingarda de dois canos que preferia aos revólveres.  Bebia tonéis de uísque sem fazer cara feia.Domou incontáveis cavalos selvagens e prendeu um sem número de bandidos.Conquistou uma penca de mulheres lindíssimas, entre elas Angie Dickson eMaureen O’Hara. Lutou contra tribos ferozes e protegeu índios amigos. Na guerracivil norte-americana, presumo que tenha defendido tanto as cores do norte comoas do sul. Tudo isso sem contar que, distante do faroeste e até morrerde câncer em 1979, John Wayne “fez o diabo”: lutou na 2ª guerra e no Vietname,debelou incêndios, criou gado, caçou animais na África, foi diplomata no Japão,oficial da Marinha e caçador de tesouro no Saara. Chegado a extremos, tantopodia atravessar um deserto, com um bebê de colo, como ganhar dinheiro atuandocomo pistoleiro de aluguel.Como de uns tempos para cá passei a comprar e assistir seusfilmes originais (legendados) descobri o motivo que impedia que meu imaginárionão o adotasse como herói: eu só havia assistido John Wayne nos filmes dubladosda TV aberta. Revendo sua atuação, percebi que sua pouca conversa, sempre em tomviril (falando só o necessário) e a sua voz metálica, eram os complementosperfeitos para seu andar meio de lado, para seu tiro certeiro, para seu socodemolidor, para sua autoridade, para seu charme de homem rude e, até mesmo,para sua impaciência (gostava de derrubar porta a ponta-pés). Foi aí queconclui que para ser o maior herói do faroeste, não basta apenas possuir aimagem de John Wayne: é preciso ter a autêntica voz de John Wayne.