AMIGOS, ATÉ QUE PONTO?

    <!– /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Verdana; panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}span.caption {mso-style-name:caption;}p.fr0, li.fr0, div.fr0 {mso-style-name:fr0; mso-margin-top-alt:auto; margin-right:0cm; mso-margin-bottom-alt:auto; margin-left:0cm; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;}div.Section1 {page:Section1;}–>Na minha opinião, respeitando as contrárias,amigos se conhece melhor, bem melhor, com o tempo, podem crer. Amizades seiniciam de várias formas. As pessoas se conhecem em algum lugar, em algumtempo, de alguma forma.  Os amigos de infância costumam ser os quemantêm uma afeição mais durável. Eu percebo isso em muitos que, até hoje,mantêm comigo a velha amizade como irmãos de coração, mesmo eu tendo saído deBelém no ano de 1960, ou há 50 anos, e morando tão longe de minha terra natal.É o caso do amigo Armando Avellar. Acredito que a amizade verdadeira independe dedistância para se manter. Vez ou outra já recebi recados de pessoas que nuncamais vi. Amigos de infância reencontrei nesta internet, alguns aqui tambémdivulgando seus trabalhos. Neste caso está o poeta Alberto Cohen, além do seuirmão, o amigo Miguel Cohen, que vive em S. Paulo. Nosreencontramos exatamente aqui.  Com o tempo você muda de trabalho, muda decidade, e vai fazendo outras amizades, esta é uma rotina natural. É inevitávelque haja amigos e amigos. Os mais fiéis, os que nos acompanham sempre, não sefazem surdos nem mudos aos nossos recados, pelo contrário. Estes respeitam osnossos hábitos, os nossos costumes, os nossos credos, ainda que diferentes dosdeles.  Aqui vou colocar o que colhi em Clarice Lispector:"Suponho que me entender não é uma questão deinteligência e sim de sentir, de entrar em contato…Ou toca, ou não toca. E seme achar esquisita, respeite também, até eu fui obrigada a merespeitar."  Concordo plenamente comela. O verdadeiro amigo nos respeita, não tenta mudar nossos hábitos, nem nosabandona pelas nossas diferenças, certo? Por eu considerarcerto é que acabo tendo algumas decepções, o que, no correr de nossa vida,também é mesmo inevitável. Por exemplo: você fica longo tempo sem ter notíciasde alguém e de repente você o reencontra, digamos, neste espaço virtual. Eudisse, “você o reencontra”, mas a recíproca terá sido satisfatória? Algumasvezes sim, e nada nos proporciona maior alegria, maior satisfação, quando estereencontro ocorre reciprocamente. O amigo também nos reconhece. Já tive algunsmomentos de grande felicidade, até recentemente, ao descobrir um ou outro amigoda antiga, com quem eu não falava há muitos anos. Voltamos aos contatos e issoé o que esperamos do verdadeiro, do autêntico amigo. Obrigado. Dentre esses com quemtrabalhei no Banco do Brasil, tirando “os que já partiram fora do combinado”,como diz o grande Rolando Boldrin, (TV Cultura), sobraram ainda amizadesdaquelas que se leva pela vida afora. Aliás, há uma frase atribuída a Viniciusde Moraes, mas que não é dele e sim de  Garth Henrichs e que diz: “A gentenão faz amigos, reconhece-os.”    Neste texto deHenrichs, cujo título é “Meus Secretos Amigos”, a certa altura ele afirma: “A amizade é umsentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela sedivida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admitea rivalidade, e eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morridotodos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!” A propósito de reencontros, nem todosinfelizmente acabam tendo um final feliz. Você descobre o e-mail de um antigocompanheiro com quem esteve por anos, ombro a ombro, a desenvolver um belotrabalho. Depois com a aposentadoria cada um vai para um lado. Até aí tudonormal. Você sabe que tem muitos motivos para manifestar sua alegria aoachá-lo, digamos, na internet. Escreve para ele, ou eles. Fica no ar aquela ansiedade da espera, daresposta, da contra partida de uma amizade antiga. De repente eis que aspalavras que lhe chegam quase lhe pedem para não incomodar, para não insistirno gesto. Você pensa: que teria acontecido? Quem mudou durante este tempo? Nãoquer acreditar, pode ser um mal entendido e você insiste no contato. Mas, écomo se o empurrassem escada abaixo, e lá embaixo nem o tapete amortece aqueda. O tapete também foi tirado.  O melhor é esquecer. É triste, porém, creia,você não perdeu um amigo, não, você pensou, nos velhos tempos, que tinha maisum amigo. Enganou-se ou foi traído. Ainda que o fato se repita umas três ouquatro vezes, sare esta ferida com tantos outros que retornaram ao seuconvívio, com alegria, em clima de festa. O reencontro é a amizade que serenova. Já o desprezo é a evidência da deslealdade, da perfídia, da traição.Vida que segue. Durante nossas quatro longas estadas em terraseuropéias, especialmente em Portugal, colecionamos amizades que permanecem atéhoje comigo. Cito o bom amigo Fernando Bento, jornalista e fotógrafo dosmelhores, e sua esposa Conceição, o Luiz e a Ilda, a nossa Sofia Rito e o Sr.João, da Agência de Viagens Royal, que conhecemos ainda em 1989, a queridíssima D.Carolina, a quem já dediquei uma crônica, e o Francisco Ruas, meio sumido.Quantas saudades.  Nesta internet, através do meu trabalho, tenhocolecionado amigos e amigas de toda parte do país e mesmo do exterior. Unspermanecem, outros somem e depois voltam. Mas, vão sempre chegando novos quevêm a mim por várias razões.Permitam-me incluir aqui algo que encontrei em Gibran Khalil Gibran:”Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única enenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, masquando parte, nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa umpouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada.” Dedico essas palavras de Khalil Gibran aosverdadeiros amigos, àqueles que, escrevendo menos ou escrevendo mais, falandomenos ou falando mais, nunca nos abandonarão. E aqui decidi parodiar, com adevida modéstia, o Mestre Drummond, dizendo para sinceros amigos da antiga doBB:”E agora… Renato,Floriano, Manuel, Amaro, Gondim, Reinaldo, Trigueiro, Lula – o bom, Agnaldo,Júlio, André, Luis Antonio, Comiotto, Orlando, Papinho, Telmo, Cortezia, ZéLuis e Otávio… o tempo voou, a vida nos separou, quantos a morte levou, oacaso nos reencontrou, o infortúnio nos reaproximou, e a amizade perdurou…perdurou… perdurou… durou… durou… durou… e continuará durando maisque o tempo que norteia o passado, o presente, o futuro. A amizade ficou.”