O FIM DA DECÊNCIA

    Pois é amigos, acho que agora, definitivamente, corruptos, malfeitores, facínoras, bandoleiros, assaltantes dos cofres públicos estão absolvidos e convocados a serem candidatos a qualquer cargo eletivo. Não estou louco não, afinal quem tomou esta decisão foi uma parte da justiça, ou não? Será que entendi errado?  Não decretaram que todos os cidadãos, políticos ou não, que estejam respondendo a processo, ainda que suspeitos de culpas as mais variadas, mesmo já anteriormente tomados como culpados porém eventualmente ainda não condenados, podem livremente se candidatar a cargos eletivos? Isto é, no fundo, o mesmo que absolver antes do julgamento final e de uma possível condenação, ou não? Segundo o dicionário que uso está dito que absolver é: “Relevar da culpa imputada ou da pena que lhe corresponda; declarar inocente. Perdoar pecados, remir.”  Não é também um prejulgamento em favor de suspeitos, alguns já com ficha suja? Digo, um prejulgamento todavia amplamente favorável a pessoas, algumas delas que não cometeram apenas um determinado crime, seja de que ordem for? E depois alguns ainda insistem em afirmar que “nosso povo é que não sabe votar”. Ora não me torrem mais a paciência, amigos, por favor, enxerguem a realidade que estamos vivendo, que nos está sendo imposta, e parem de culpar quem na verdade é muito mais vítima, até porque continua a ser obrigado a votar. Digo mais: ninguém exerce cidadania sendo obrigado a faze-lo, de forma alguma. Isso é sim, uma forma mal disfarçada de facilitar ao povo eleger pessoas que vão acabar dando continuidade a este estado triste e condenável que muitos condenam, porém parece que alguns, com força de decisão, se preocupam mais é com quem atua politicamente no estado de “fora da lei”. É o fim da decência. Pessoas de bem, como meu bom amigo, o escritor Geraldo Batista, protestam com veemência, cheios de razão, mas nossa única “arma”, a minha como a dele e a de tantos outros, é apenas a palavra escrita. Não somos marginais.  Repetirei aqui parte do que disse o amigo Geraldo em sua crônica no coojornal do Rio Total, na edição de 21 do corrente:http://www.riototal.com.br/coojornal/geraldobatista.htm  “Logo que li a manchete em um dos jornais que assino: “Ficha suja não impedirá candidatura” fiquei indignado. A decência neste país foi mais uma vez derrotada. É lamentável que apenas os ministros Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Felix Fischer tenham tentado punir os políticos corruptos. A Pátria ferida, vendo o crime superar a honradez, presta uma homenagem a esses três ministros que tentaram salvar o barco antes que afunde.” Mais adiante em seu texto “Chega de Intermidiário” que aplaudo e recomendo a leitura na íntegra, Geraldo alarga o seu veemente protesto com essas palavras: “No dia 13, uma sexta-feira, a Polícia Federal prendeu 12 pessoas em Natal, acusados de corrupção. Entre os presos um casal, ela, candidata à vereadora e ele, candidato a prefeito. Diante da decisão do TSE, eles poderão continuar como candidatos para fazer falcatruas durante o mandato. Viva o país da impunidade.” “Salvem os que respondem a processos de improbidade administrativa, estelionato, desvio de dinheiro público, falsidade ideológica, peculato, apropriação indébita e os demais crimes contra a administração pública. Continuarão também impunes os compradores de votos. Neste momento, Stanislaw Ponte Preta repetiria o seu refrão: “Ou restaura-se a moralidade ou locupletemo-nos todos.” O humor sagaz e inteligente de Geraldo lança uma “sugestão” no melhor estilo de um dos mais competentes cronistas que o Brasil conheceu, nosso colega também no BB à época, que partiu cedo desta vida e que é citado no texto do amigo. Uno minha indignação à dele ao mesmo tempo em que entendo já não bastar apenas criticarmos e condenarmos boa parte da classe política que aí está, ou, como dizem alguns, da “banda podre” desta política, não, afinal parece que agora eles podem contar com “costas quentes” em Instituições superiores. Quando me ensinaram o que era fazer justiça ou meus pais e mestres estavam completamente equivocados ou os conceitos de honra, decência, ética, mudaram radicalmente para pior, pelo menos em mentes que decretaram: “Ficha suja não impedirá candidatura.” Desculpem meu tom amargo, amigos e amigas, outro dia eu falo de flores, se até lá  não resolverem também que devem exterminar os jardins.