O VOTO POR OBRIGAÇÃO

    Costumo sempre dar uma olhada nas pesquisas apresentadas no jornal do meu provedor, o Terra. Se o assunto me desperta interesse eu participo dela.Outro dia havia lá esta pergunta: “Você é a favor do voto obrigatório?” Registrei a minha escolha e abri o quadro para ver como estava o resultado até então. Percebi que novamente eu me incluíra entre a imensa maioria dos votantes. O quadro parcial mostrava este resultado: “NÃO – 84,65%  //  SIM – 15,35%”. Lamento decepcionar alguns amigos, mas eu estou entre os que discordam desta imposição do voto obrigatório. Já disse isso antes e reafirmo agora. Votar é exercer a cidadania, e este ato tem que ser espontâneo, livre, sem cabrestos, sem qualquer tipo de paternalismo, ou protecionismo que subestime a consciência dos cidadãos.Até hoje ainda há pessoas que justificam a obrigação com a velha, surrada e inaceitável tese de que, se assim não for, muitos brasileiros não irão às urnas. Por favor, gente, este argumento não cola mais, além de ser um desrespeito para com nossa boa gente.    Se o medo é a abstenção, pois saibam que este tem sido um recurso usado no primeiro mundo, Europa e EUA, onde se imagina que as pessoas sejam mais politizadas do que o nosso povo, em geral. E o usam conscientemente, como forma de protesto, sem crise.Nossa gente tem a verdadeira noção de que deve votar, quanto a isso não tenho nenhuma dúvida, e não seria o voto não obrigatório que os faria mudar de atitude a cada eleição. O que leva algumas pessoas a se absterem, como disse acima, nos países do chamado primeiro mundo, é a decepção com o quadro político de cada país em determinado momento.Afinal, amigos e amigas, de que adianta manter-se esta obrigação, se, como eu já disse em outra crônica, ela, quando muito, faz com que os cidadãos compareçam às urnas, mas votar em alguém é assunto de foro íntimo e da consciência de cada um. Então, pela obrigação, alguns comparecem, porém anulam o seu voto ou votam em branco. E daí?! Onde está a vantagem deste “voto obrigatório”?Esta imposição só nos coloca entre um pequeno grupo de nações que, mesmo tendo a democracia como regime, decidem manter esta ultrapassada e inconcebível imposição ao seu povo. Isto não dá cidadania a ninguém, pelo contrário, irrita muitos, eu sei, e até pode causar justamente o efeito contrário ao desejado.Infelizmente, embora se discurse muito contra o paternalismo, o exagerado protecionismo, etc, algumas cabeças fazem questão de tratar nossa gente quase como irresponsáveis ou débeis mentais. Deixem nosso povo andar por suas próprias pernas.Acertar ou errar, em nosso país, quando se vota, ainda creio que ocorre muito mais pela “contribuição” positiva ou negativa que cada político candidato dá ao pleito. Afinal prometer todos prometem, e quanto prometem (?!), criticar todos criticam seus adversários, programa do candidato ou do partido a que ele pertence, isso nunca conhecemos. Desculpem, mas o erro maior vem do próprio sistema.Sendo obrigado, repito, a comparecer ao pleito, não a votar, como se diz erradamente, o cidadão, fica impossibilitado de manifestar o seu desagrado, a sua descrença, justamente pela ausência, ou abstenção, o que é bem comum em países do primeiro mundo. Em certos casos até foi necessário repetir o pleito e trocar os candidatos, pela expressiva repulsa manifestada pelos eleitores conscientes e politizados. As autoridades deveriam se preocupar muito mais em educar, em fazer ver ao cidadão a importância do seu voto. Em vez de ficarem falando em “obrigação” poderiam investir muito mais em informação, em educação, isso sim.O que não se pode também ignorar é que, mesmo desejando votar, fica muito difícil escolher nomes quando vemos uma relação imensa de políticos, em todos os níveis de atuação, envolvidos em atos de corrupção e mais todo tipo de falcatruas. A escolha é mesmo muito complicada e quando se pensa que acertamos….. bom, eles vêm e, depois de empossados, retiram a máscara e riem de todos nós. Quantas vezes isto já não aconteceu? E acham que agora vai ser diferente?O voto obrigatório é mais um mero capricho de quem não perde a mania de querer ser paternalista, o papai sabe tudo, como que lidando com débeis mentais. Temos visto, na TV, autoridades e apresentadores, como o Faustão, a conclamar as pessoas a não anularem o seu voto, a não votar em branco. Concordo em parte. Pois deviam mais era se preocupar em extirpar a obrigação do comparecimento e permitir, democraticamente, que algumas pessoas manifestassem sim o seu desagrado, a sua desaprovação, o seu repúdio a este estado de coisas que aí está como ocorre no primeiro mundo. Do jeito que o sistema funciona não dão outra opção à nossa gente.Obrigado, deveria ser, era os políticos terem programas bem definidos, bem detalhados, e os respeitarem, sob pena de cassação no caso de se desviarem das promessas feitas em campanha. O mais funciona é para desviar a atenção do povo.É a minha opinião.