“OI SILVIIIO!”

    <!– /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Verdana; panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1 {size:595.3pt 841.9pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:35.4pt; mso-footer-margin:35.4pt; mso-paper-source:0;}div.Section1 {page:Section1;}–>Arepercussão que causou a “subida” do Lombardi, o locutor do Silvio Santos, podeestar no fato de que ele, assim como “Homem do Baú” (mas em escala bem abaixo),também “é” um fenômeno: conseguiu ser uma celebridade sem mostrar o rosto,permanecendo no imaginário do povo brasileiro por 40 anos. Dono de vozinconfundível, respondia aos chamamentos de “cadê você Lombardi”, realizadospelo “patrão”, com um jargão que ficou famoso: “Oi Silviiio!”.Jácumpri mais da metade da minha missão e ainda não consigo entender porque asmortes de grande repercussão – mesmo de pessoas que me eram indiferentes – nãopassam por mim como uma mensagem eletrônica que, depois de lida e registrada,deve ser deletada. Nosanos 60, os assassinatos dos irmãos John e Robert Kennedy e do misto de pastore líder negro, Martin Luther King, me fizeram olhar para o teto por bom tempo.Ultimamente, as mortes de Lady Di e de Michael Jackson me deixaram falandosozinho. De vezem quando me pego pensando sobre o que li num livro do Carlos Heitor Cony: emdez meses, de agosto/76 a maio/77, morreram, Juscelino Kubitschek, João Goularte Carlos Lacerda que estavam articulando uma “Frente Ampla” de oposiçãopolítica ao governo estabelecido. Não há prova de que suas mortes foramforjadas, mas existem vários indícios. Emmeados de 85 acompanhei com desmedido interesse a lenta agonia de TancredoNeves e até hoje não perdôo a divulgação de fotos falseando a suarecuperação.   É claro que as mortes de Elis Regina e Leonel Brizola metocaram profundamente pela incomensurável admiração que nutria por eles. Paramim Elis Regina é inigualável e Leonel Brizola é insubstituível ou vice-versa.Melhor: aos dois aplico ambos os adjetivos. Voltando ao Lombardi, o José Simão, da Folha-SP, contouque o Lombardi chegou no céu cantando “Silvio Santos vem aí!”. A piada mereceuma reflexão: considerando-se a improvável hipótese do Silvio Santos sermortal, por quanto tempo ainda o teremos por aqui? O que me levou a esse questionamento foi o fato quedesconheço quem não possui um mínimo de admiração pelo SS. Seja pelocamelô que construiu um império, seja pelo brasileiro, pessoa física, maiordeclarante de imposto de renda. E muito pelo fantástico e incomparávelapresentador de TV. Faz tudo na medida certa, na hora exata. Ao contrário dosseus concorrentes, não apela para as pieguices, para o puxa-saquismo, para oconstrangimento, para os elogios gratuitos, para o erotismo, para as desgraçasou para as  lágrimas. Seu programa não admite armações. Ele é elegante,irreverente, está sempre bem humorado, adora o que faz e possui sinceridaderascante, sem nunca chegar a arranhar. Caso haja revogação da sua imortalidade, muito  maisdo que causar uma inigualável comoção, tenho a impressão que o Brasil serápequeno para caber todo mundo que vai querer reverenciá-lo pela última vez. Semcontar que domingo que se preza tem macarronada e Sílvio Santos.