SOU HOMEM DOS PASSARINHOS

    <!– /* Font Definitions */ @font-face {font-family:Verdana; panose-1:2 11 6 4 3 5 4 4 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:536871559 0 0 0 415 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;}div.Section1 {page:Section1;}–>               Fiqueicom uma inveja danada de uma matéria que assisti na TV sobre um cidadão que, aover a dificuldade de um casal de João-de-barro  em construir a casa deles,retirou barro molhado do chão e deixou ao alcance dos pássaros  para serutilizado. Contudo, na metade da obra dos bichos caiu uma chuvarada quedestruiu o que estava pronto. O cidadão não teve dúvidas: comprou isopor,construiu uma casa com designer  “João-de-barro” e a fixou no poste depreferência do par cantante.                 Eu sou homem dos passarinhos. Sempre vivi próximo deles. Em Friburgo, nainfância, minha mãe criava, num viveiro que comportava várias pessoas em pé,muitos passarinhos, com quem conversava horas a fio. Naquela época, eu eraajudante de um primo nas caçadas aos pássaros das margens do rio.                  Osujeito era mais certeiro com o estilingue do que mocinho de faroeste com orevólver. Um dia, na ausência dele, arrisquei uma estilingada que fez com queuma andorinha voasse devagar para o chão. De uma janela ouvi a reprimenda:”para que você fez isso?” Sem ver o estado da andorinha fui embora cheio deculpa e só voltei a passar por ali dias depois. Da mesma janela veio umaobservação: “a andorinha sobreviveu”.                 Moro numa casa  em que a área dos fundos vive cheia de pardais disputandofreneticamente a ração dos potes dos cachorros, estando eles presentes ou não.Também por lá, de vez em quando, com pose soberana, aparece um Bem-te-vi quenão se digna a se misturar com os demais. Com ar de recriminação, observa doalto a comilança e vai embora.                Nopequeno jardim da frente da casa, as rolinhas ficam esperando o farelo de milhoque lhes é servido pelo menos duas vezes ao dia. Na calçada estão plantadasduas árvores. Na mais galhada mora um casal de sabiás que eu, presumo, nãoparar em casa, porque só os vejo ao entardecer e só ouço suas cantorias pelas manhãs. O casal insiste em fazer seus ninhos na árvore galhada. Contudo,toda vez que há geração, os ovos são roubados pelos transeuntes. Mas, na vã esperançade quem dia possam criar seus filhotes sossegados, não deixam de construiroutro ninho.               Acompanheiminha esposa a um sitio, onde ao lado da humilde sede, existia um mata fechada.Já estava entardecendo quando o dono do lugar me chamou para sentar, dizendo:”vamos assistir ao espetáculo”. De repente, surgiu de diversas direções, umanumerosa passarinhada de todas as raças, tamanhos e cores. Os pássaros faziamuma barulheira danada e disputavam os melhores lugares nos galhos das árvorespara dormir.  Um espetáculo indescritível! Comentei com o dono que aquelelugar deveria ser tombado como patrimônio da humanidade. Depois “chutei”: “pagoqualquer dinheiro por isso aqui”. E ele, na lata: “e eu não vendo por dinheiroalgum”.            Noregresso, minha companheira voltou a falar dos mirabolantes “planos dela” paraa “minha” aposentadoria. “Cortei o seu barato” afirmando que não quero maisnada da vida a não ser pedir permissão aos passarinhos para conviver ao ladodeles.